Juntos, técnica e cuidado ambiental
Ao contrário das usinas e Foz de Areia e Segredo, também no Rio Iguaçu, no projeto de Salto Caxias a Copel não usou a escavação de túneis para desviar o curso das águas. Estudos indicaram que seria economicamente mais vantajoso o estrangulamento do rio por etapas, através de ensecadeiras.
Na primeira etapa o cronograma reservou o outono e o inverno de 95 para este trabalho. Nessa época a vazão do Iguaçu é menor e a Copel contou com o apoio da Eletrosul, que manteve o controle da vazão em Salto Osório e Salto Santiago, rio acima. Apesar do calor excessivo fora de época, que poderia provocar aumento de chuvas e cheias do rio, como a que ocorreu em janeiro de 95, Salto Caxias manteve o ritmo.
Primeiro, o curso do rio foi desviado e estrangulado para o lado direito, através de uma ensecadeira na margem esquerda, feita exclusivamente para permitir a construção de um grande bloco de concreto, chamado defletor. Depois que o defletor ficou pronto, a ensecadeira foi desfeita e passou-se à construção de uma outra, ainda maior, com 930 metros de comprimento, desta vez do lado direito do rio. Ela foi concluída em agosto do ano passado. A construção do defletor é necessária porque é ele que suporta a velocidade das águas estranguladas pela ensecadeira. Argila e rocha não seriam suficientes para conter a força do rio.
Depois de esgotada a água e feita a limpeza na nova ensecadeira, foram construídas as galerias de concreto, chamadas adufas de desvio. Cada uma tem 4,35m de largura por 10m de altura e por elas passará o rio. Começaram aí as obras da barragem e do vertedouro, que terá 52 metros e por onde passará, quando a usina estiver pronta, o excedente de água repressada que não foi utilizado na geração de energia.
Na fase atual, o lado esquerdo é fechado e o rio passa a correr pelas adufas de desvio. Duas outras adufas, desta vez de compensação, com 2,40m de largura e 3,50m de altura, serão construídas, concluindo-se o lado esquerdo da barragem. Quando toda ela estiver pronta, as adufas de desvio serão fechadas por comportas e tamponadas com concreto, iniciando-se o represamento para formação do lago. Parte das águas escapará pelas adufas de compensação para manter o curso do rio Iguaçu.
A tomada de água para a geração de energia elétrica será por queda em gravidade, em concreto estrutural, com quatro tubulões a céu aberto, um para cada grupo gerador. Esses tubulões têm diâmetro interno de 10,5 metros, são de aço e se compõem de três seções que serão soldadas no canteiro de obras. A barragem terá 67 metros de altura e 1.083 metros de comprimento. O reservatório alagará uma área de 11 mil hectares. No acampamento de trabalho, próximo à obra, estão vivendo mais de 200 funcionários da Copel e 1.500 empregados das empreiteiras contratadas.
Salto Caxias é a primeira usina brasileira que está sendo construída conforme todas as exigências dos mais rígidos padrões ambientais. Estão sendo desenvolvidos 26 programas ambientais e sociais, entre eles o de reassentamento, que vai atender a 3.500 pessoas dos municípios de Capitão Leônidas Marques, Nova Prata do Iguaçu, Três Barras do Paraná, Boa Vista da Aparecida, Boa Esperança do Iguaçu e Cruzeiro do Iguaçu.





