''Junto minha mão à sua e meu coração ao seu''
Leonardo (nome fictício) tem apenas 13 anos. É o mais novo entre os residentes da Comunidade Libertad. Em sua primeira noite na fazenda precisou da presença do pai para cair no sono. No restante dos dias, é em Moacir que ele busca carinho.
''O traficante foi à casa dele para matá-lo, mas acabou dando três tiros no tio dele'', conta o coordenador. Segundo ele, Leonardo conseguiu irritar o bandido, ''cheirando toda a droga sozinho''.
Apesar do sorriso fácil, de criança Leonardo não tem nada. Já viveu as melhores e piores sensações provocadas pela droga e como os residentes mais velhos, recorre ao cigarro para aplacar a dependência. Também trabalha duro para sentir o tempo passar. E demora, pois só os coordenadores possuem relógios.
José (nome fictício) é o mais velho dos residentes. Aos 40 anos, luta para se livrar do alcoolismo. Resolveu buscar ajuda depois de um pedido da mãe, ''porque estava ficando muito agressivo em casa''. ''Aqui a gente é muito bem tratado por todos, não somos obrigados a fazer nada, tanto que o portão nem tem cadeado.''
Conforme Moacir, a transformação física de José é espetacular. ''Os primeiros dias foram difíceis, a mão não parava de tremer'', lembra o residente. Hoje, ele é um dos responsáveis pela marcenaria e trabalha diariamente com serras.
''A gente pega amizade e consegue se recuperar. Quando dá saudade, a gente recorre ao Moacir ou ao colega de quarto. Aqui tudo é decidido no voto. Só estou aqui há oito dias mas quero ficar até o final.'' (M.G.)





