Marcelo AlmeidaO promotor Celso Ribas: ‘‘Justiça ainda há de ser feita’’O julgamento de Celina e Beatriz Abagge trouxe mais dúvidas do que resultados para as famílias das crianças desaparecidas no Paraná. Arlete Caramês, mãe do menino Guilherme, desaparecido há sete anos, e fundadora do Movimento Nacional em Defesa das Crianças Desaparecidas, se diz ‘‘decepcionada’’ com a maneira como o júri foi conduzido. ‘‘Pensamos que a solução do caso Evandro iria esclarecer questões, e não confundir ainda mais o problema dos desaparecidos no Estado’’, afirma.
Arlete considerou ‘‘absurda’’ a declaração do promotor público Carlos Alberto Dal’ Coll, que disse ter sido informado, na época da prisão de Celina e Beatriz, de que mãe e filha estariam envolvidas também no desaparecimento de Guilherme e do garoto Leandro Bossi. Dal’ Coll, arrolado como testemunha da acusação, afirmou no seu depoimento que um policial relatou-lhe ‘‘informalmente’’ que Celina e Beatriz haviam confessado a participação nos outros dois crimes. A confissão, segundo o promotor, teria sido gravada em uma fita cassete.
‘‘Não entendo por que uma revelação como esta não foi feita antes e investigada a sério pela promotoria e pela polícia’’, desabafa Arlete, que ficou surpresa com a notícia de que seu filho também poderia ter sido morto em ritual de magia negra. ‘‘Esta hipótese nunca foi cogitada na época e não entendo por que foi levantada neste julgamento antes de ser comprovada’’, disse.

Marcelo AlmeidaJúri das Abagge: mais dúvidas do que resultados para os pais de crianças desaparecidasO delegado do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), Harry Carlos Herbert, também afirma que o julgamento do caso trouxe transtornos para as investigações. ‘‘Não há nenhuma certeza sobre a relação da morte de Evandro com outros crimes, e por isso as questões levantadas tumultuaram ainda mais o trabalho da polícia e a vida dos pais destas crianças’’, diz. (C.P.)

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