Começa nesta segunda-feira, às 13 horas, no Fórum Criminal de São José dos Pinhais, o julgamento dos sete acusados do assassinato do menino Evandro Ramos Caetano. O crime teria ocorrido durante um ritual de magia negra em Guaratuba, em abril de 1992. O processo foi desmembrado em três júris diferentes, com início marcado para os dias 9 de março, 24 de março e 6 de abril.
A única pendência para a realização dos julgamentos é um pedido de habeas corpus ajuizado na última quarta-feira pelos advogados de defesa no Tribunal de Justiça. A defesa pede o afastamento de dois promotores auxiliares designados para o caso. A questão deve ser avaliada no início da próxima semana. Se o habeas corpus for concedido, o processo ficará nulo e apenas a promotora Rosana Lima fará o júri; se for negado, a defesa vai recorrer.
O primeiro júri, que deve ser o mais demorado, deve durar pelo menos seis dias - há 34 testemunhas arroladas. Os jurados devem dormir em um alojamento próximo ao Fórum. A partir do segundo dia, o julgamento deve começar entre 8h30 e 9 horas. Um grupo de empresas cedeu ônibus para transportar jurados e testemunhas.
Os primeiros a serem julgados serão Osvaldo Marcineiro, Davi Soares e Vicente de Paula. No dia 24 de março deve começar o julgamento de Celina e Beatriz Abagge, respectivamente esposa e filha de Aldo Abagge, que era prefeito de Guaratuba na época do crime.
Os últimos acusados a irem a júri, a partir de 6 de abril, são Airton Bardelli e Sérgio Cristofolini. Os sete são acusados de terem sacrificado Evandro, então com 7 anos, num ritual numa serraria da família Abagge, e depois ocultado o cadáver. Todos os réus estão em prisão domiciliar.
A tese da defesa é de negativa da autoria. Os advogados devem argumentar que as confissões foram obtidas mediante tortura e pedir a absolvição dos réus.
A promotoria pretende pedir condenção à pena máxima, que soma 51 anos para todos os crimes. Mesmo que sejam condenados à pena máxima, os réus não deverão voltar para a prisão, já que são todos primários e já cumpriram um sexto da pena enquanto aguardam julgamento.
A juíza de São José dos Pinhais, Marcelise Weber Lorite, responsável pelo caso, não atendeu à Folha ontem.

mockup