Julgamento de Voltolini começa hoje
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segunda-feira, 04 de maio de 1998
Israel Reinstein 
Começa hoje, às 9h, no 1º Tribunal do Júri de Curitiba, o julgamento do comerciante Antônio Voltolini, acusado de ter assassinado a menina Franciele de Oliveira, de 10 anos, na madrugada do dia 31 de dezembro de 1996. Franciele foi morta em frente ao brechó Mundo Teatral, na Rua Visconde de Nácar, de propriedade de Voltolini, depois de ter jogado pedras na vitrine do estabelecimento. Segundo testemunhas, o comerciante teria atingido a menina com um tiro de espingarda. O advogado de Voltolini é Osmann de Oliveira, o memso que defendeu Celina e Beatriz Cordeiro Abagge no Caso Evandro.
De acordo com o Ministério Público, Franciele era vendedora de flores e morava com sua avó, no bairro do Cajuru. Na noite do crime, ela e duas meninas de ruas pararam na frente da loja, onde viram a imagem de uma bruxa exposta. Por causa disso, alega a promotoria, as meninas começaram a jogar pedras no vidro como brincadeira.
Com base no depoimento de três testemuhas oculares, a promotoria afirma que Voltolini teria matado Franciele em represália pelas pedradas em sua loja. O comerciante, segundo as testemunhas, tentou fugir, mas foi pego por taxistas, que quase o lincharam.
Para o advogado do Voltolini, Osmann de Oliveira, faltam evidências que liguem seu cliente ao crime. Ele afirma que a arma do crime não foi encontrada e exames nas mãos do acusado não constataram pólvora em quantidade que comprovassem o disparo. O laudo do IML é inconclusivo, porque não define se a arma é militar ou civil e nem estabelece o seu calibre, diz.
Osmann acredita que as testemunhas partiram apenas de deduções. Uma das pessoas que viu o crime estava no telefone, onde não há ângulo visual para enxegar a fachada da loja, afirma. As outras duas testemunhas, que estavam na Rua Visconde de Nácar, em frente a boate Lido, também não teriam visão adequada do local do crime. Eles viram fumaça, que podia ser de fogos de artifícios, afinal era ano novo, afirma.


