Londrina - Familiares da doméstica Cleonice Fátima Rosa, encontrada morta no apartamento da artista plástica Vanda de Souza Pepiliasco, há 22 anos, ainda vão ter de esperar pelo menos mais dois meses para que o caso seja julgado. O júri popular marcado para ontem foi adiado para 12 de maio.
Segundo a juíza da 1ª Vara Criminal, Elizabeth Kather, o adiamento ocorreu porque a defesa da artista plástica alegou que testemunhas indicadas pela ré – um dos filhos e o marido - não teriam sido oficialmente intimadas. Além disso, um perito do Instituto Médico Legal (IML) envolvido no caso também não estava presente. "No caso do perito, poderíamos fazer uma diligência e trazê-lo, mas em relação a Lauro [marido de Vanda] e ao filho Leonardo seria impossível, posto que o oficial de Justiça diligenciou várias vezes e não os encontrou no endereço da Rua Goiás", explicou a magistrada.
Ainda conforme Elizabeth, um dos filhos de Vanda estava presente ontem na sala do júri e não soube informar o endereço dos pais em Cuiabá, onde a família tem uma segunda residência.
A presença ou ausência de Vanda no próprio julgamento, assinala a juíza, não implicaria na anulação do júri. Apesar de não ter sido encontrada no apartamento em Londrina, a acusada foi intimada via edital. A falta de testemunhas, no entanto, poderia abrir brecha para anulação caso o julgamento prosseguisse. "Decidi adiar o júri, mas com o compromisso com o promotor, a assistente de acusação, a família da vítima e a sociedade de Londrina de que vou fazer o júri no dia 12 de maio", reforçou a magistrada.
Diante da situação que se instalou no Fórum, a assistente de acusação Gabriela Silva, que é advogada da família da vítima, pediu a prisão preventiva da ré, já que há o receio de que a acusada possa sair do País. Gabriela defendeu que Vanda estaria "frustrando a aplicação da lei penal". "Fizemos o pedido de prisão tendo em vista que o endereço informado da acusada Vanda nos autos é aqui em Londrina e ela não foi encontrada. Há muito ela não vem à Justiça. Agora foi chamada e também não veio, mas principalmente o pedido foi feito porque consta no Facebook da senhora Vanda Pepiliasco uma foto dela em Paris. Nós não sabemos onde ela está. Está em lugar incerto e não sabido", argumentou a assistente de acusação.
O advogado de Vanda, Walter Bittar, negou a informação de que a defesa não teria informado o endereço da cliente à Justiça e garantiu que a ré vai comparecer ao julgamento em maio, independentemente de nova convocação. "Ela esteve por mais de cinco vezes em meu escritório na cidade nos últimos meses. A foto vista no Facebook dela também parece ser de muitos anos atrás", sustentou Bittar, ao enfatizar que a cliente sempre negou a autoria do crime,. Para ele, o pedido de prisão "não tem cabimento". Questionado ainda sobre a possibilidade da cliente ter feito uma viagem ao exterior durante a tramitação do processo, o advogado disse que ela não estava proibida de viajar, uma vez que é acusada e não condenada no caso. A juíza Elizabeth Kather deve apreciar a solicitação de prisão preventiva ainda nesta semana.
Entre os familiares da doméstica Cleonice Fátima Rosa, o sentimento era de revolta com o adiamento do júri e o andamento do caso. Uma das irmãs da vítima, Dionísia Rosa Alves, disse que não acredita que a acusada chegue a ser condenada pelo crime. "Já faz 23 anos. Se ela tivesse que ser condenada, já teria sido", lamentou. Dionísia também classificou a Justiça como "lenta" e afirmou que a família não sabe até hoje qual foi a motivação do crime. Outra irmã de Cleonice, Ana Lúcia Rosa Fernandes, se emocionou ao falar sobre o adiamento do júri. "Preferia que nem tivesse. Depois de tanto tempo temos que lembrar de novo de tudo o que aconteceu", pontuou.

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