Julgamento de policial termina hoje
O resultado da primeira atapa do julgamento do Caso Zanella pode ser conhecido hoje. No final da tarde de ontem, a expectativa era que a decisão do júri popular que julga o investigador Airton Adonsk Júnior, 24 anos - um dos nove acusados pelo assassinato do estudante Rafael Rodrigo Zanella - aconteceria na madrugada de hoje. A intenção era interromper a sessão apenas para o jantar e dar continuidade aos trabalhos até as 5 horas da manhã. A setença do juiz, que determina a pena em caso de condenação, seria decretada em seguida. O juíz Luiz Zarpelon, que preside o júri, disse ontem que o julgamento de Adonsk terminaria, no máximo, hoje.
O depoimento mais emocionado foi o de Elizabetha Zanella, mãe da vítima, a quarta testemunha da acusação a depor. Ela chorou várias vezes e contou que foi informada com frieza por um policial sobre o que tinha acontecido com o filho na noite de 28 de maio de 1997, quando ele foi morto numa abordagem policial. Disseram que tiveram que matá-lo porque ele estava armado e havia resistido à prisão, contou.
Elizabetha afirmou que Rafael Zanella, 20 anos, trabalhava desde os 15, que se dava bem com os pais e que era um exemplo para os dois irmãos mais novos. Ele nunca se envolveu com drogas.
Rafael Zanella foi morto numa suposta blitz policial no bairro Santa Felicidade, onde morava. O estudante recebeu um tiro na cabeça. Os policiais teriam colocado drogas e uma arma no carro dele para forjar um flagrante.
Interrogada pelo promotor Celso Luiz Peixoto Ribas, Elizabetha lembrou que foi ameçada por telefone dias depois da morte do filho. Disseram para não mexermos no caso porque pagaríamos um preço muito alto. Ela lembrou também que os delegados responsáveis pelo trabalho dos policiais que participaram da aborgadem em que Zanella foi morto continuam trabalhando em órgãos públicos, apesar de o governador do Estado e do secretário de Segurança na época do crime terem procurado a família para desculpar-se pela ação de agentes do Estado e de terem prometido rigor para afastar e julgar criminalmente os envolvidos.
Ontem foram ouvidas quatro testemunhas da acusação. A quinta a depor seria Ubiratã Pereira da Silva, que estava preso e ficou junto com os acompanhantes da vítima na noite do crime, mas ele foi dispensado. Os advogados de defesa afirmaram que nenhuma de suas cinco testemunhas seria dispensada.Está previsto para a manhã de hoje o resultado do julgamento de Airton Adonsk Júnior, acusado no assassinato de estudante
Albari RosaJúri popularTestemunha da acusação depõe no julgamento de policial civil acusado de assassinar e forjar flagranteAndrea Vendramini





