Julgamento de Paraíba é anulado pela terceira vez
Sid Sauer
De Campo Mourão
O Tribunal de Justiça do Estado anulou, pela terceira vez, o julgamento do ex-chefe do almoxarifado da prefeitura de Goioerê (67 km a oeste de Campo Mourão), Admílson de Souza Pereira, o Paraíba, 32 anos, que é acusado pelo atentado, em junho de 1995, contra o então prefeito da cidade, José Paulo Novaes. No último júri, que completou um ano ontem, Paraíba havia sido condenado a 16 anos e 11 meses de prisão. Ele errou os tiros contra o ex-prefeito, mas acabou matando a comerciante Neuzely Farias, na época com 36 anos.
A anulação do julgamento havia sido pedida pelo advogado de Paraíba, José Aparecido Borges do Santos, que não concorda com alguns dos quesitos elaborados pelo juiz Nestário da Silva Queiroz. Foi a terceira vez que o julgamento foi anulado pelo mesmo motivo. Nos dois júris anteriores, Paraíba havia sido condenado a 18 anos e 2 meses. Ele está solto desde outubro do ano passado graças a um habeas-corpus e continua morando em Goioerê.
Queremos que seja reconhecido que houve um erro de pessoa no homicídio, disse o advogado, ontem, à Folha. Segundo ele, ninguém discute que Paraíba matou a comerciante, mas é preciso esclarecer que ele não tinha esse objetivo. Enquanto não for feito isso nos quesitos, vou continuar pedindo a anulação, ressaltou Borges. Ele acredita que a condenação de Paraíba possa cair para cerca de 8 anos de prisão.
Como ele já cumpriu mais de três anos, poderá cumprir os cinco restantes em regime semi-aberto, considerou. Borges disse também que, se tiver sucesso no caso de Paraíba, vai pedir a revisional no caso de Ronaldo Wilson Hernandes, 28 anos, outro acusado de participar do atentado que foi condenado a 17 anos e 6 meses de prisão. Será uma questão de justiça, disse. Hernandes foi acusado de ter locado o carro e atuado como motorista de Paraíba no dia do crime.
A anulação, pela terceira vez, do julgamento de Paraíba é mais um capítulo de uma novela que se arrasta há mais de quatro anos em Goioerê. O dentista José Paulo Novaes ainda era o prefeito da cidade quando sofreu o atentado dentro de um restaurante no centro de Goioerê. O então vereador Edilaldo Machado da Cruz, apontado pela polícia como mandante do crime, fugiu e nunca mais voltou ao município, onde tem prisão decretada.
Paraíba, no entanto, repetiu nos três julgamentos que agiu sozinho porque vinha sendo humilhado por Novaes. Mesmo assim, Ronaldo Wilson Hernandes foi condenado. Um outro acusado de participação, Fábio Henrique Afonso, o Binho, 27, conseguiu absolvição em dois julgamentos. O primeiro júri dele foi anulado pelo TJ e a absolvição foi repetida no segundo julgamento, realizado em dezembro do ano passado.





