Cambé Um forte esquema de segurança envolvendo homens do Pelotão de Choque e das Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone) da Polícia Militar, além do apoio de policiais civis, protegeu ontem a integridade física e impediu um possível resgate de Júlio Sílvio de Quadros, 43 anos, condenado a cerca de 80 anos de prisão pela Justiça paulista.
Ele foi conduzido para Cambé, vindo da Penitenciária de Presidente Venceslau (SP), para ser julgado pelo assassinato do policial civil Antonio Carlos Pinheiro, acontecido em 1990 durante uma fuga coletiva na delegacia de Cambé (13 km a oeste de Londrina). Quadros, que nega a autoria, é reu denunciado pelo Ministério Público. Se houvesse a condenação, seria a primeira do acusado por homicídio. O júri popular começou às 9 horas e a previsão é que se estenderia até a madrugada de hoje.
A operação para remoção de Quadros começou na madrugada de quarta-feira, sob responsabilidade da Polícia Militar de São Paulo, que escoltou o acusado da penitenciária onde cumpre as penas por tráfico de drogas e por uma série impressionante de assaltos e furtos 78 no total.
Em Porecatu, os policiais paranaenses passaram a comandar a escolta. Como o julgamento foi adiado para ontem, a pedido do advogado de defesa, o réu pernoitou duas vezes na Casa de Custódia de Londrina (CCL), de onde partiu ontem pela manhã para o Fórum de Cambé.
De acordo com o capitão Marcos Vinicius Koch, comandante da PM de Cambé, cerca de 30 homens fortemente armados e usando colete à prova de balas trabalharam na escolta. ''Foi uma solicitação da justiça, que considerou a remoção arriscada pela periculosidade do réu e pediu reforço'', explicou o capitão.
A operação iria continuar com o mesmo contingente após a divulgação do veredicto. Quadros seria reconduzido à CCL e depois levado até a divisa com São Paulo, onde outra operação da PM paulista assumiria a escolta.
No fórum, as medidas de segurança foram rigorosas. A movimentada Avenida Roberto Conceição, onde está localizado o prédio, teve uma das pistas isoladas por cinco viaturas picapes. Soldados foram espalhados nas imediações. Todos as pessoas que entraram no Tribunal do Júri foram minuciosamente revistadas.
Ontem foram ouvidos, pela juíza Sílvia Maria de Oliveira Testa, policiais militares e civis que estavam durante a rebelião que resultou na fuga dos presos na manhã da morte de Pinheiro, baleado várias vezes.
Em entrevista a um programa policial de TV, Quadros disse que ''nunca esteve com'' e ''nunca viu'' o megatraficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, um dos mais célebres personagens da crônica policial contemporânea. ''Gostaria que vocês esclarecessem isso porque estou correndo riscos no sistema'', disse, referindo-se a possibilidade de represálias na Penitenciária de Presidente Venceslau.
Pouco antes da chegada de Quadros ao Paraná - estado onde ele permaneceu junto com sua quadrilha por algumas semanas em 1990, com o objetivo de realizar vários assaltos em Londrina e Cambé - se intensificaram os rumores de que ele mantinha relações diretas com uma das organizações criminosas mais temidas do País, o Comando Vermelho.
Os mesmos rumores chegaram a afirmar que o réu era primo de Fernandinho Beira-Mar, o maior expoente da organização carioca. ''Não sou parente, nem amigo. Na verdade, nem conheço ele'', garantiu Quadros, um velho conhecido dos policiais da capital paulista.

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