Julgamento de empresário deve terminar durante a madrugada
Com um dossiê que organizou em dois anos de investigação, Silvana Dorigo, irmã de Orley Arlindo Dorigo, que foi ontem pela segunda vez a julgamento no 2º Tribunal do Júri, de Curitiba, acusado de homicídio qualificado, foi impedida de se pronunciar durante a sessão. Como informante, ela disse que queria mostrar aos sete jurados que a investigação realizada sobre o assassinato possui uma série de erros. O pedido foi indeferido pelo juiz João Kopytowski, depois de consultar o júri popular. O julgamento do empresário, começou às 9 horas e deveria se estender até a madrugada de hoje.
Orley Dorigo é acusado de ter matado com tiros de uma pistola 45 o empresário Walter Carrara Cunha, 64 anos, e a secretária dele, Elizabeth Irene Serrato, 32 anos, em 10 de julho de 1990. Além disso ele foi denunciado pela tentativa de matar Rosângela Aparecida, dançarina de uma boate da cidade, que na época tinha 20 anos, e acompanhava o casal. Os três tinham saído do motel Le Piege, na Rodovia dos Minérios, em Almirante Tamandaré. Dorigo e a mulher, Tânia Regina Rocha Stephanes Dorigo, também estavam no local.
A briga começou na portaria do motel, quando Dorigo estava em um Chevette pagando a conta. O carro da vítima, um Monza, estava parado logo atrás. Impaciente, uma das mulheres buzinou reclamando da demora. Uma delas teria dito que eles deveriam retirar o carro de pobre. Os dois motoristas se encontraram no caminho de volta à cidade, onde aconteceram provocações que resultaram nos tiros.
O promotor Sylvio Roberto Degasperi Kuhlmann centralizou a acusação afirmando que Orley Dorigo agiu por motivos fúteis e que, por isso, o crime não merecia tolerância dos jurados. O crime de homicío qualificado prevê de 12 a 30 anos de prisão.
Na primeira vez que foi a julgamento, em outubro de 1996, Dorigo foi condenado a três anos de reclusão pela morte de Walter e 17 pelo assassinato de Elizabeth, que morreu seis meses depois no Hospital Evangélico, em decorrência de uma infecção hospitalar. Ele foi absolvido da acusação de tentativa de assassinato da bailarina. O primeiro julgamento foi cancelado a pedido da promotoria.
O advogado de defesa de Dorigo, Rachid Jorge Miguel Piloto, diz que o réu atirou em legítima defesa. Ele foi agredido e depois perseguido na rodovia, afirma. Desde 1990, ele foi preso várias vezes e depois liberado através de habeas corpus. Atualmente, ele está detido na Prisão Provisória de Curitiba.





