James Alberti
De Curitiba
A apresentação de transparências e fotografias da autópsia e do local onde foi encontrado o corpo do menino Evandro Ramos Caetano, 7 anos, foram os pontos fortes do segundo dia de julgamento de três dos sete acusados pelo assassinato. O desaparecimento do menino aconteceu no dia 7 de abril de 1992.
Ontem começou a leitura dos autos do processo, que tem 85 volumes e 16 mil cópias. A leitura deve durar entre quatro e cinco dias, segundo previsão dos advogados. Depois começam a ser ouvidas as testemunhas.
Os sete jurados – cinco homens e duas mulheres – receberam cópias dos autos para acompanhar a leitura. Menos de vinte pessoas estavam no auditório do Fórum de São José dos Pinhais, onde acontece o julgamento, a maioria familiares da vítima.
Dos sete acusados, foram julgados até agora Beatriz e Celina Abagge, que teriam encomendado o assassinato para melhorar a situação financeira das empresas da família. As duas foram absolvidas. Esse fato é favorável ao demais acusados, segundo o advogado de defesa Álvaro Borges Júnior. ‘‘Não tem como fugir do outro julgamento’’, afirma. ‘‘O crime é o mesmo e a sentença não pode ser diferente.’’ Há, no entanto, um pedido de anulação do julgamento das Abagge.
Para o advogado Edson Stadler, que atua como assistente de acusação, as circunstâncias deste julgamento é diferente. Segundo ele, Celina e Beatriz nunca confessaram o crime, ao contrário dos demais acusados. O advogado Cláudio Delladone Júnior, sócio de Stadler, afirma que as coincidências entre os depoimentos nos quais os réus confessaram os crimes são provas inatacáveis de que eles teriam cometido o crime.
O advogado de defesa discorda. Segundo Borges Júnior, as confissões foram obtidas sob tortura e os torturadores tinham em mãos os laudos da autópsia. ‘‘Se eles houvessem confessado antes do laudo, a confissão seria coerente’’, acredita. ‘‘Com os laudos na mão, a P2 (Serviço secreto da Polícia Militar) montou os depoimentos’’, acusou.
Borges também questiona a materialidade do crime. Segundo ele, não teria ficado comprovado até hoje que o corpo encontrado é mesmo de Evandro. Para o advogado de defesa, despreza o teste de DNA do médico Sérgio Danilo Pena, considerado uma das maiores autoridades do País em genética. ‘‘Ele é um empresário, que deu um parecer técnico. Ele não prestou compromisso no processo’’, disse Borges, em referência a Pena. Por ocasião do julgamento das Abagge, Pena havia afirmado que o corpo era de Evandro.
Delladone, no entanto, afirma que não há um único laudo que conteste o DNA de Pena. Segundo o assistente de acusação, a dentista do menino reconheceu a arcada dentária encontrada em Guaratuba como sendo a de Evandro.

mockup