Julgamento causa briga entre juiz e advogados
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de abril de 1997
Sucursal de Curitiba 
O julgamento do músico Pedro Augusto de Oliveira acabou se transformando em uma briga entre o juiz João Kopytowski e os advogados de defesa. Enquanto o juiz acusa os defensores de terem abandonado o réu, o advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto acusa o juiz de falta de isenção e pede a imediata intervenção da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba.
Tudo começou na quinta-feira, quando se iniciou o julgamento que se prolongou até a madrugada de sexta-feira. A certa altura, os advogados protestaram contra os procedimentos do juiz e acusaram a quebra de incomunicabilidade dos jurados - que são proibidos por lei de conversarem durante o julgamento. Assim, afastaram-se do Tribunal junto com o réu.
O juiz negou a quebra de incomunicabilidade e afirmou que a atitude dos advogados deixava o réu sem defesa. Por isso dissolveu o conselho de sentença, adiando o julgamento para uma nova data ainda não definida. Também afirmou que os advogados poderiam sofrer sanções de multa e comunicou a Ordem dos Advogados do Brasil e o Ministério Público sobre o que ele considerou abandono do processo.
O advogado Antonio Augusto Figueiredo, em fax enviado à Folha em Curitiba, afirma: Falseia a verdade o magistrado em fazer críticas aos advogados alegando que abandonamos o cliente. Ele também assegura que o juiz teria cerceado a defesa, privilegiado a acusação, humilhado testemunhas e demonstrado total falta de equilíbrio emocional e técnico para presidir a sessão de julgamento.
Os fatos ocorridos sugerem uma imediata intervenção na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, no sentido de definitivamente podar as arbitrariedades deste juiz, que confere à perseguição legal aparência de legalidade, sendo mais perverso que os carrascos, escreveu Basto. O músico Pedro Augusto de Oliveira é acusado de ter matado a esposa em 1992.


