Curitiba – A divulgação de uma lista de pessoas no Paraná que poderiam ser sequestradas por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa com base nos presídios de São Paulo, gerou revolta e surpresa nas supostas vítimas. A relação foi apresentada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná, Dálio Zippin Filho.
O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, Roberto do Valle, está na lista. Procurado pela Folha ontem, ele se disse surpreso e preocupado. ‘‘Quando se tem somente comentários, a gente continua levando a vida normalmente’’, relatou. ‘‘Mas agora deve ter um fundo de verdade. Vou reforçar a segurança.’’
A liderança do Partidos dos Trabalhadores (PT) ficou revoltada – os deputados federais Florisvaldo Fier, o doutor Rosinha, e Padre Roque Zimmerman também estão na lista. Para os deputados, a Secretaria de Segurança Pública foi irresponsável. ‘‘Se a secretaria tinha essa informação e não passou, ela foi extremamente irresponsável, isso é inaceitável’’, argumentou Padre Roque.
Também estão na lista o juiz da VEP de Curitiba, Roberto Massaro, o diretor da Penitenciária Central do Estado, coronel João Krainski Neto, e o próprio Zippin Filho. De acordo com o Zippin, as pessoas sequestradas serviriam como ‘‘moeda de troca’’ para o PCC exigir a transferência de líderes do grupo, que hoje estão espalhados pelo País.
Zippin se disse preocupado com a atuação do PCC. ‘‘O PCC está cada vez mais fortalecido, mais firme, principalmente porque a força policial não está acreditando na força deles’’, observou. Segundo ele, mais de 40% dos presos do Paraná ou são comprometidos diretamente com o PCC ou são simpatizantes da facção. O advogado mostrou também um bilhete sobre a ‘‘ciranda da morte’’ – execução de detentos.
De acordo com informações obtidas por Zippin, integrantes do PCC e também do Primeiro Comando do Paraná (PCP), uma ramificação da facção paulista, teriam alugado três chácaras no redor de Curitiba para abrigar os réfens enquanto durasse a negociação.
O secretário de Estado de Segurança Pública, José Tavares, negou ontem a existência de facções criminosas organizadas dentro das penitenciárias do Paraná. ‘‘Ninguém sabe quem são eles e onde eles estão. A presença deles é tão pequena que chega a ser imperceptível’’, argumentou.
De acordo com Tavares, a existência de um grupo que planejava sequestros de juízes e promotores foi ventilada há três meses e investigada. Nada foi detectado. ‘‘Não há qualquer risco neste sentido. Podemos tranquilizar a população que as informações não passam de boatos’’, insistiu.

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