Maigue Gueths
De Curitiba
O Juizado da Infância e da Juventude determinou ontem que 15 das 18 crianças que vivem no Abrigo da Associação Ebenezer, no bairro Tranqueira, em Almirante Tamandaré (RMC), sejam transferidas para outros instituições ainda esta semana. A mudança destes menores, com idade entre 2 e 15 anos, foi decidida porque a associação estava sendo acusada de negligência e falta de atendimento técnico especializado.
A transferência dos menores vinha sendo discutido desde o primeiro semestre do ano passado, depois de denúncia do Conselho Tutelar. Naquela época, o Juizado aplicou uma advertência à associação, por imposição de crença religiosa às crianças, negligência, ausência de documentação e falta de atendimento técnico especializado, dando prazo para recuperação do local. Como a situação continuou a mesma em dezembro, o juizado decidiu dar novo prazo, até este mês. No entanto, pouca coisa mudou.
Por causa disso, as crianças serão relocadas a novos abrigos. Das 18, dez estão sob a gerência do Juizado de Almirante Tamandaré e cinco de Campo Magro. As outras três, de Curitiba, terão o destino definido pelo Juizado de Curitiba.
A situação da Associação Ebenezer complicou-se quando a Prefeitura Almirante Tamandaré cancelou um convênio de R$ 1,6 mil mensais com a associação por constatar negligência e não prestação de contas sobre o destino dos recursos. Logo em seguida, a associação abriu o Lar de Tranqueira, tendo acertado com a prefeitura novo convênio de R$ 500,00 mensais.
Em dezembro do ano passado, após receber denúncias de voluntários, a reportagem da Folha visitou o lar em Tranqueira. A casa estava infestada de pulgas, as crianças viviam em pésimas condições de higiene, com piolhos, sem escova de dentes ou shampoo. Na ocasião, o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carlos Zili, informou que a associação continuava recebendo a quantia de R$ 1,6 mil mensalmente.
Os responsáveis pela Associação, Jorge Meira e sua mulher Vilma Meira sempre negaram as acusações contra eles, informando que sobrevivem da doações de voluntários. Em várias vistorias, entretanto, foi comprovada a negligência no tratamento às crianças.

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