A juíza Lídia Maejima (foto), diretora do fórum de Londrina, contestou o ineditismo do projeto do delegado-chefe do Serviço de Registros Policiais para Investigações, João Alberto Fiorini. Em entrevista a Folha na edição de ontem, Fiorini garantia ter descoberto um meio para identificar as digitais de recém-nascidos usando microscópios e máquinas fotográficas especiais para ampliar as impressões dos polegares dos bebês.
Lídia Maejima informou que em 1996 o projeto ‘‘Impressões Digitais - Combate à Impunidade’’, de sua autoria e do promotor Carlos Biachinski, virou lei federal que prevê a criação do Cadastro Nacional de Impressões Digitais. Ele incluiria registros dos recém-nascidos, da população em geral e de procurados pela Justiça. A magistrada diz que o trabalho impede o rapto, troca e identificação errada dos bebês na própria maternidade.
‘‘O trabalho dos autores é muito abrangente e, uma vez implementado, acabará com todas as fraudes que envolvam o uso de identidades falsas’’, diz Lídia Maejima. Para basear suas conclusões, a juíza conta ter pesquisado ‘‘casos práticos encontrados no dia-dia de trabalho nas diversas comarcas em que trabalhou no interior do Estado.’’ Laudo do Instituto de Identificação do Paraná atestou a segurança total da proposta.
O delegado João Alberto Fiorini jura que não copiou a idéia de ninguém. Ao comparar o seu projeto com a da juíza, Fiorini disse que sua tese tem embasamento científico. ‘‘A juíza fez previsões em seu projeto, mas ela não fala qual a técnica que tinha que ser desenvolvida para colocar a idéia em prática. O meu projeto fala disso’’, afirmou, referindo-se ao uso de câmeras fotográficas e microscópios. Fiorini diz que captou as impressões digitais de cinco recém-nascidos para fundamentar suas conclusões. Segundo ele, a intenção é colocar o projeto em prática até o final do ano nas maternidades do Estado.

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