A juíza Anésia Kowalski, de Guaratuba, poderá ser removida compulsoriamente da comarca. Ela teve seu trabalho analisado por uma sindicância aberta pela Corregedoria de Justiça e está sendo acusada de baixa produtividade. A transferência da juíza já foi aprovada pelo Conselho de Magistratura e depende ainda de análise do Órgão Especial.
O caso foi apreciado pelo Conselho de Magistratura em setembro e dia 7 de novembro foi publicado no Diário da Justiça, mas Anésia só tomou conhecimento oficial ontem. Ela tem 15 dias para apresentar sua defesa.
Anésia Kowalski envolveu-se em polêmica depois do chamado ‘‘caso Evandro’’, no qual a mulher e uma filha do ex-prefeito de Guaratuba Aldo Abagge são acusadas de participar de um ritual de magia negra, no qual teria sido morto o menino Evandro Caetano, de 7 anos. O crime aconteceu em abril de 1992. Sete acusados foram denunciados e Anésia decidiu pela pronúncia de todos.
Ontem a juíza não quis falar sobre o assunto, mas pessoas próximas a ela disseram acreditar que a sindicância tem relação com o caso. Segundo um advogado, o afastamento de Anésia estaria sendo pedido há dois anos pelo deputado Aníbal Khury, que tem ligações com a família Abagge. O mesmo advogado disse que um dos desembargadores que votou pelo afastamento da juíza - Altair Patitucci - estaria impedido de votar porque é pai de um juiz contra o qual Anésia move um processo por calúnia.
Trata-se de Sérgio Patitucci, que era delegado da Operação Praias em Guaratuba em 1995, quando o teleférico do município caiu, matando três pessoas. Na época, Patitucci responsabilizou indiretamente Anésia, acusando-a de não ter acatado pedidos de interdição do teleférico.

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