A juíza Elizabeth Kather, de Loanda, decretou ontem a prisão temporária do vereador Dalto Luciano Vargas (PT), de Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí). O pedido da prisão foi feita pelo delegado de Querência, Mário Sérgio Bradok, que alegou crime de desobediência e incitação ao crime.
O vereador é ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O delegado disse que descobriu que na próxima invasão, os sem-terra chegariam na propriedade com um veículo da Patrulha Rural da Polícia Militar. ‘‘Fiquei sabendo disso e abri um inquérito para apurar os fatos’’, disse Bradok ontem à Folha.
Ele explica que já convocou o vereador duas vezes para depor. ‘‘Quero saber dele se a declaração é verdadeira, o que caracteriza incitação ao crime’’, afirma. Bradok disse que acionou a Justiça porque o vereador não respondeu a nenhuma das duas intimações feitas pela polícia. ‘‘O vereador não se deu ao trabalho de obedecer à ordem policial e agora vai ter que vir à força e ainda ficar preso cinco dias’’, afirma.
Bradok afirmou que assumiu a delegacia de Querência do Norte ‘‘para colocar ordem na cidade’’. Ele explica que sem ouvir as testemunhas, que não estão respeitando a convocação policial, não tem como dar continuidade aos inquéritos abertos. ‘‘Agora quem não obedecer à ordem policial vai preso’’, avisa.
Ontem, a polícia de Querência estava à procura de Vargas que, segundo o delegado, não foi visto na cidade nos últimos dias. Bradok garantiu que tem pistas do vereador. A Folha tentou localizar Vargas em Querência ontem. Na Câmara de vereadores e na prefeitura, ninguém soube informar onde ele se encontrava.

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