A juíza substituta da 1ª Vara Criminal de Londrina, Oneide Negrão, decretou ontem a prisão temporária de três sem-terra acusados de participação na morte do segurança José Lopes de Oliveira, conhecido como ‘‘Django’’, ocorrido em 27 de abril, na fazenda Borborema, em Tamarana (60 quilômetros ao sul de Londrina). São os irmãos Nelson e Nivaldo Siqueira e Francisco Geraldo Pereira.
O delegado do 3º Distrito Policial, Jurandir Gonçalves André, que preside o inquérito, havia solicitado também a prisão de outros três acusados (conhecidos como ‘‘Zé Barranco’’, ‘‘Cidão’’ e ‘‘Indião’’), o que foi negado pela juíza.
O advogado do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST), Gerson da Silva, diz que em breve deverá apresentar Nivaldo Siqueira ao delegado. Quanto aos outros dois, ele afirma não saber onde estão. Zé Barranco, cujo nome verdadeiro é José Lourenço Barbosa, nega participação no crime. O advogado afirma que o movimento desconhece quem sejam Indião e Cidão.
O pedido de prisão temporária foi feito na semana passada pelo delegado, que solicitou ainda mais 30 dias para concluir o inquérito. Jurandir Gonçalves André diz que ainda precisa tomar o depoimento de algumas pessoas e ouvir novamente o sem-terra José Reis, que antes era considerado testemunha e agora está sendo acusado de envolvimento no crime.
Ao todo, são 12 sem-terra acusados de envolvimento no crime, inclusive o coordenador regional do MST, Josmar Choptian. O delegado explica que não há provas sobre quem deu o tiro que matou Django. O segurança foi morto com um tiro na cabeça, em uma dos quartos da casa do administrador da fazenda Borborema, invadido por um grupo de sem-terra.
Durante o conflito também ficou ferido outro segurança, Ricardo Lucena. Ele e Django haviam sido contratados pelo arrendatário da fazenda, Pedro Ribeiro, para retirar as famílias sem-terra que estavam acampadas na propriedade. Segundo os sem-terra, no dia anterior ao assassinato, Django havia ameaçado as famílias, inclusive de morte.
As ameaças foram presenciadas por repórteres e cinegrafistas de equipes de TV. Uma equipe de reportagem da TV Londrina também esteve presente à Fazenda Borborema no dia em que Django foi assassinado. As imagens, feitas de dentro da casa do administrador da fazenda, foram periciadas pelo Instituto de Criminalística de Londrina e utilizadas como peças no inquérito policial.
(Lucília Okamura)

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