Juíza pede desocupação de fazenda
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de dezembro de 1996
Luciane Tonon Correspondente 
RIBEIRÃO DO PINHAL - A juíza de Ribeirão do Pinhal (43 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio), Telma Regina Magalhães de Carvalho, deferiu ontem a liminar de reintegração de posse da Fazenda Santa Maria, ocupada desde a última quinta-feira por agricultores sem-terra.
A decisão foi tomada a partir do resultado da vistoria feita pelo Incra, caracterizando a terra como produtiva. Se o próprio Incra considerou as terras não negociáveis, não tem por que os sem-terra permanecerem no local, disse a juíza.
Ela explicou que existe uma ação sobre rescisão de contrato entre proprietários e arrendatários correndo na Justiça. Mas isso não justifica que as terras estejam livres para ocupação de sem-terra.
Para ontem à tarde estava marcada uma reunião no fórum com os líderes do acampamento para haver uma desocupação pacífica, mas ninguém compareceu. O que nos leva a pedir o auxílio da Polícia Militar para que haja a desocupação, acrescentou Telma Carvalho.
Os sem-terra já estão trabalhando na área e pretendem não sair dali. Eles alegam que estão amparados pelo proprietário da fazenda Ilton Wintz. Se o dono nos permitiu ficar aqui, vamos continuar, afirmou o sem-terra Odair Macota.
Ilton Wintz chegou a declarar que negociaria a fazenda para instalação de vilas rurais ou outro projeto de assentamento. Mas há a ação com os arrendatários. As 65 famílias de sem-terra estão alojadas em casas desocupadas de colonos da fazenda.
Sexta-feira o Incra já havia pedido a desocupação de terras. Segundo a superintendente Maria de Oliveira, não há chance de negociações com aquelas terras. A fazenda possui 292 alqueires, sendo 150 voltados ao cultivo de cana para o alambique próprio, que produz 4,5 milhões de litros de pinga por safra.


