Uma disputa fundiária que se arrasta por três décadas terá desdobramento hoje no Fórum de Formosa do Oeste (100 quilômetros ao norte de Cascavel). A Justiça vai ouvir o depoimento de testemunhas de acusação contra a família Bálico, acusada de vários crimes.
Em 1991, vários membros da família invadiram uma fazenda no vizinho município de Nova Aurora. Eles reivindicavam direitos sobre a terra, da qual teriam sido expulsos por jagunços de uma colonizadora.
Os Bálico, uma numerosa família, tinham posse e documentos referentes a 420 alqueires de terras da Fazenda Primavera. Laumir Bálico, 34 anos, líder da ação em 91, denuncia que seus pais haviam sido expulsos a mando de Adízio Figueiredo dos Santos, ex-diretor da Colonizadora Norte do Paraná.
A família acabou confinada em uma pequena área cercada com arame farpado nas imediações da fazenda e, quando os filhos cresceram, decidiram retomar a área original.
A fazenda já tinha sido negociada com dois agricultores de Nova Aurora, Odair Cereda e Sérgio Garcia. Com armas em punho, os Bálico ocuparam a sede, permanecendo vários meses entrincheirados. Eles só aceitaram aceitarem sair em 1992, quando o Governo do Estado ofereceu outra área no município. A ocupação seria por concessão de uso até a solução do conflito na esfera judicial. A família instalou-se na Fazenda Maringá, de 70 alqueires, onde permanece até hoje.
Os Bálico respondem processo por invasão, sequestro, formação de bando armado e uso arbitrário das próprias razões. Odair Cereda e Sérgio Garcia querem ser ressarcidos dos prejuízos por causa do impedimento da colheita de safras que estavam em andamento e o plantio de outras lavouras.
Membros da família já foram ouvidos e agora prestam depoimento 31 testemunhas de acusação. Em seguida, virão testemunhas de defesa para que, depois, a Justiça se pronuncie em definitivo.
O processo agora está em mãos da juíza Inês Marchaleki Zarpelon, da Comarca de Formosa do Oeste, que abrange também o município de Nova Aurora. Os Bálico têm como defensor o advogado Genésio Natividade, de Curitiba.
Segundo Laumir Bálico, que no episódio que originou o processo (durante a ocupação da fazenda) aparecia sempre com uma carabina na mão e o rosto encoberto com capuz, a família ‘‘não desiste dos direitos sobre a fazenda’’, uma discussão judicial separada.
‘‘Embora estejamos bem instalados na Fazenda Maringá, a ocupação é apenas provisória. Além disso, a Fazenda Primavera é nossa’’, alega Laumir. (Paulo Pegoraro)

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