Juíza ouve motorista que atropelou manifestante
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terça-feira, 04 de novembro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O motorista Nery Soares da Silva, 46 anos, foi ouvido ontem à tarde pela juíza da 2 Vara Criminal do Fórum de Londrina, Lídia Maejima, no processo que apura a culpa do réu pelo atropelamento e morte de Anderson Amaurílio da Silva, 21 anos. O acidente ocorreu em 13 de junho deste ano na saída do Terminal Urbano de Transporte Coletivo, durante protesto de estudantes contra o aumento da tarifa de ônibus. O motorista foi o único indiciado no processo e responde pelo crime de homicídio culposo (sem intenção de matar).
Nery deixou o Fórum sem falar com a imprensa, mas de acordo com seu advogado, Mauro Viotto, ele teria dito em seu depoimento que movimentou o ônibus por determinação do então comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rubens Guimarães, que foi promovido a coronel e atualmente é comandante do Policiamento do Interior (CPI). ''Ele seguiu porque um policial mandou que ele seguisse. Ele disse que quem deu a ordem (para movimentar o ônibus) foi o tenente-coronel'', declarou o advogado. Segundo Viotto, após receber a ordem, seu cliente seguiu devagar com o veículo pela Rua Benjamim Constant para derivar para a Avenida São Paulo e que não percebeu nem viu a vítima por causa do tumulto que se formou. Para o advogado, não existem provas que comprovem a culpa de seu cliente e que o próprio laudo da Polícia Científica o inocenta.
A promotora Siomara Nogari afirmou que ''a versão do motorista'' será confrontada com as provas e com os depoimentos das testemunhas. ''A ação ainda está em sua fase inicial e o que o Ministério Público tem em mãos são indícios de responsabilidade do motorista e do comandante (Guimarães), que é julgado pela Auditoria da Polícia Militar, em Curitiba, por ter foro privilegiado'', apontou.
A promotora disse que o coronel não poderia ser julgado pela Justiça Comum, mesmo posicionamento da juíza da 2 Vara Criminal, que completou que o processo foi remetido integralmente para Curitiba. Mas a assessoria da Auditoria da PM afirmou que a promotoria não ofereceu denúncia contra o atual comandante do CPI porque desde 1996 crimes contra a vida só podem ser julgados pela Justiça Comum. A Folha procurou o comandante do CPI por telefone mas ele não foi encontrado.
Afora as divergências, as partes estimaram que até o final de 2004 a sentença em primeira instância deverá ser definida. Isso porque processos contra réu solto é mais lento e apenas na 2 Vara existem perto de 180 processos prioritários contra réus presos. A audiência para ouvir as testemunhas de acusação foi agendada para 26 de maio do próximo ano.
Anderson foi atropelado no dia 13 de junho, durante um protesto de estudantes contra o aumento da tarifa do transporte coletivo que passou de R$ 1,35 para R$ 1,60. Ele foi socorrido mas faleceu no hospital, 11 dias após o acidente. Sua família move uma ação de indenização contra a Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), que tramita na 3 Vara Cível.


