Juíza manda soltar líder do MST
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Paulo Pegoraro 
Osvaldo Natalício Cândido da Silva, o Gaúcho, 40 anos, um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Centro-Oeste do Estado, que havia sido preso na noite de segunda-feira sob acusação de estelionato, foi solto na noite de anteontem por ordem da juíza Eloísa Gomes Gonçalves, da Comarca de Laranjeiras do Sul (127 km a leste de Cascavel). Gaúcho, que preside a cooperativa Coagri, formada por 4,1 mil lavradores assentados na região, foi solto depois de uma manifestação em frente ao Fórum, que reuniu cerca de 800 assentados.
O MST contesta a prisão, alegando ter sido irregular e uma excrescência, segundo disse ontem Cristiane de Lima Martins, advogada do movimento. A acusação de estelionato originou-se de um cheque de R$ 1,3 mil da conta pessoal de Gaúcho na cooperativa de crédito Creditar, que o dono de uma casa noturna, Clementino Lino, tentou descontar na segunda-feira. No mesmo dia, o líder do MST registrava queixa do desaparecimento da folha, e providenciava seu cancelamento. Segundo Lino e prostitutas da casa noturna, Gaúcho é quem havia emitido o cheque.
No entanto, a assinatura não confere com a do titular da conta. Gaúcho foi preso pelo delegado Ítalo Biancardi Neto e imediatamente transferido para a Delegacia de Polícia de Guarapuava. Houve uma grosseira armação, com interesses que desconhecemos, e exigimos que tudo seja devidamente esclarecido, disse ontem Natalino Alves dos Santos, coordenador do MST. Por volta das 17h30 de anteontem, os assentados mobilizados pelo movimento se reuniram em frente ao Fórum, pressionando pela soltura de Gaúcho, sem que houvesse incidentes.
Por volta das 22 horas, a juíza Eloísa Gomes Gonçalves chegou ao Fórum para decidir sobre o habeas-corpus que havia sido impetrado por advogados do MST, determinando então a soltura. O MST e a Coagri divulgaram nota acusando a existência de armação política grosseira para desmoralizar o MST e a reforma agrária.


