Curitiba
A concessão de liberdade provisória ao assaltante James Maximoritz, 18 anos, provocou polêmica em Pato Branco (Sudoeste do Paraná). O rapaz foi solto anteontem pela juíza Sayonara Cedano, a pedido do promotor Javert Martins do Prado Filho. Indignados com a decisão, o delegado Ivonei Oscar da Silva e o comandante local da Polícia Militar, tenente-coronel Sanderson Diotalevi, colocaram os cargos à disposição em sinal de protesto. Ambos ganharam licença para descansar.
Oscar e Diotalevi ficaram decepcionados com o pedido do promotor. Eles lembram que Maximoritz passou uma hora e meia com um revólver apontado para a cabeça de uma refém quarta-feira da semana passada. Foi uma tentativa de assalto frustrada à casa do médico e pastor evangélico Eliseo Batiston. Junto com o menor L. T., 17 anos, o assaltante exigia R$ 10 mil e um carro para fuga, mas acabou detido por policiais civis e militares.
‘‘Já comuniquei meu pedido de afastamento ao Comando Geral’’, disse Diotalevi, em entrevista à Rádio Itapuã, de Pato Branco. Em entrevista à Folha, o coronel desconversou: ‘‘Fui dispensado para resolver assuntos da minha família, que mora aqui em Curitiba’’. Oscar também recebeu dispensa e foi descansar no sítio dos pais, em Francisco Beltrão.
O promotor ficou surpreso com a reação dos policiais. Segundo ele, cada órgão tem sua atribuição e a harmonia entre eles deve ser preservada. ‘‘A regra do jogo é essa: já tive muitos pareceres negados pela Justiça e não pedi demissão’’, afirmou Javert. Ele defendeu a liberdade provisória de Maximoritz porque o rapaz é réu primário, tem bons antecedentes e residência fixa.
A juíza mandou soltar o assaltante com uma exigência: a internação de Maximoritz em uma clínica até segunda-feira para tratar de possíveis problemas psiquiátricos. Embora more em Enéas Marques, na região Oeste, o rapaz deve ser trazido para Curitiba. Há suspeita de que ele tenha alguma dependência química. Lideranças políticas e comunitárias de Pato Branco enviaram fax de protesto ao Tribunal de Justiça, que não se manifestou, a exemplo do Ministério Público.

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