Juíza indefere pedido de prisão de líder do MST
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de março de 1998
Marcos Zanatta 
A juíza Márcia Andrade Gomes Bosso, de Paranacity (66 km ao norte de Maringá), indeferiu o pedido de prisão preventiva do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região, Francisco Strozati.
O pedido foi feito na semana passada pelo delegado Ariosvaldo Cortiano, de Jardim Olinda (135 km ao norte de Maringá), depois da reocupação da fazenda Água Amarela pelos sem-terra.
Ontem a juíza disse à Folha que não existem requisitos no pedido para decretar a prisão de Strozati. O pedido foi negado também pela promotoria da comarca.
Ela explica que no pedido de prisão, o delegado acusa o líder do MST de abalar o ordem pública, ameaça, danos, esbúlio processório e formação de quadrilha.
Segundo a juíza, em nenhuma das indicações apontadas pelo delegado cabe a ordem de prisão, a não ser na formação de quadrilha ou bando. No entanto no pedido de prisão não existem outros nomes para caracterizar a quadrilha ou bando, disse. Para caracterizar bando ou quadrilha são necessários pelo menos quatro acusados.
Ontem ela enviou à promotoria o pedido de relaxamento de prisão dos seis sem-terra presos durante a desocupação da fazenda Água Amarela, no dia 19 de fevereiro. Os seis estão presos na delegacia de Maringá, também acusados de esbúlio processório, formação de quadrilha e desobediência a ordem judicial.
O advogado do MST, Marino Gonçalves, disse que pediu o relaxamento da prisão de cinco dos seis sem-terra e a liberdade provisório de Francisco Luiz de Oliveira, que é acusado de porte ilegal de arma.


