A Justiça de Assaí não admite que houve erro até o presente momento, dando por encerrada suas atribuições no processo que envolve Ivan Custório Nery. Segundo a juíza Joseane Ferreira Machado Lima, cabe ao Tribunal de Alçada do Estado apreciar a matéria.
‘‘Ele terá que provar que não é a mesma pessoa que praticou o crime e que seu nome foi equivocadamente trocado com o do criminoso’’, afirma. Ela esclarece que a denúncia da promotoria de Justiça foi feita com base no inquérito policial. ‘‘O juiz decide de acordo com as provas dos autos’’.
A juíza lembra que não houve recursos no processo e questiona os advogados que atuaram na causa. ‘‘Os advogados, em nenhum momento, levantaram a possibilidade de ter havido erro da Justiça, ou troca de nomes’’.
Procurados pela Folha, os advogados Yoshinori Fucuda (atuou no processo em 92) e Paulo Yamamoto (em 93), alegam que foram noemados à revelia. ‘‘Não tive contato nenhum com o réu, somente fiz uma defesa prévia’’, garantiu Fucuda. Na época, Ivan Nery tinha paradeiro ignorado. ‘‘O erro foi da vítima que nunca nos procurou para sua defesa’’, completou Yamamoto.
Por sua vez, Nery alega que só soube que tinha um processo contra ele, quando foi preso em 14 de janeiro. ‘‘Como eu poderia procurar os advogados se nem sabia que estava sendo processado?’’. Ele afirma que seu processo foi divulgado em edital e ninguém o informou pessoalmente para que tomasse providências de defesa.
A juíza explica que a sentença já se tornou imutável (transitou em julgado) e somente uma revisão criminal vai tirar Nery da cadeia. ‘‘Se o condenado for, de fato, inocente, deve lutar para provar tal circunstância, o que é previsto no direito brasileiro, através da revisão criminal’’.

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