A juíza da 2 Vara Criminal, Lídia Maejima, acredita que o comportamento de adolescentes que se envolvem em crimes é decorrência da falta de estrutura familiar e principalmente, ''de caráter''. ''É injusto com o pobre dizer que esses meninos fazem isso por falta de oportunidades. É regra pedagógica, de estímulo e resposta. Se passarmos as mãos na cabeça desses meninos, eles continuarão acreditando na impunidade'', disse.
Lídia afirma ter um opinião totalmente contrária dos que não concordam com a redução da maioridade penal. Ela explica que no novo Código Civil consta a antecipação da capacidade civil da pessoa, dos 21 anos para 18 anos e que, com isso, a idade mínima para emancipação cai para 16 anos.
''Então o menor pode abrir uma empresa, dar calote na praça e ficar impune? A maioridade penal tem que ser reduzida para 14 anos. Para quem achar que é exagero mandar um menino de 14 anos para uma penitenciária, eu digo que se esse menino comete um crime de tanta gravidade a ponto de ser mandado para uma penitenciária, é pra lá que ele tem que ir mesmo, porque é pra lá que vão pessoas que cometeram esse tipo de crime'', reforça.
Para a promotora da Vara da Infância e da Juventude, Édina Maria de Paula, a sociedade é punitiva e vive a mentalidade ''olho por olho, dente por dente''. ''As pessoas pensam que o mal deve ser combatido com o mesmo mal''. Segundo ela, não adianta simplesmente colocar o adolescente na cadeia, porque reduzir a maioridade penal não será algo ''intimidatório'' para o adolescente.
''A falta de condições é o principal fator. No começo do ano, faz fila na minha sala de gente procurando vaga para estudar. O Estado não aplica condições. Para violência não existe mágica, mas sim ações.'' Ainda segundo a promotora, no geral, ''a delinquência e a pobreza andam de mãos dadas''.
''É lógico que nem todo pobre é marginal. Um menino com nível grave de comprometimento tem jeito, sim. Quando alguém acredita nesse menino, mostra pra ele que é possível e tira-se essa capa de violência que ele traz desde pequeno, ele começa a mudar. Além disso, a participação da família é essencial para essa mudança'', afirma a promotora. (F.B.)

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