QUERÊNCIA DO NORTE - A juíza Elizabeth Khater, de Loanda, concedeu ontem a reintegração de posse da Fazenda Santa Amélia, em Querência do Norte (113 quilômetros a oeste de Paranavaí), invadida na madrugada de terça-feira por 220 famílias de sem-terra. Segundo a juíza, ontem mesmo, no final da tarde, dois oficiais de justiça foram para a fazenda comunicar a reintegração aos líderes do Movimento Nacional dos Sem-Terra (MST), que organizaram a ocupação da área.
A liderança do MST na região informou que os sem-terra não vão deixar a área, que é considerada improdutiva pelo movimento. O MST adiantou ainda que as famílias que foram para a Fazenda Santa Amélia, de 887 hectares, são excedentes dos acampamentos da Fazenda Jabur e Pontal do Tigre. A Jabur, com pouco mais de mil alqueires, foi invadida em agosto passado por 300 famílias. Ontem mesmo, segundo os líderes dos sem-terra, os tratores do MST já iniciaram o preparo do solo da Santa Amélia para o plantio de milho.
O comando da Polícia Militar em Loanda está acompanhando a ocupação da fazenda e até ontem não havia registrado nenhuma manifestação de violência. O proprietário da Santa Amélia, Alcides Beltran, que mora em Ribeirão Preto (SP), garante que a fazenda é produtiva. Ele calcula que existem na área mais de 1.800 cabeças de gado de corte, parte em sistema confinado.
Segundo Beltran, no ano passado a fazenda foi sorteada pelo Incra e passou por uma vistoria, que comprovou a produtividade acima da média para a região. ‘‘Contratamos técnicos para elaborar um projeto que já dura cinco anos, e até o Incra já nos tranquilizou quanto a produtividade da área’’, disse ontem Beltran. Ele acredita que com a liminar de reintegração de posse, os sem-terra deixem a fazenda ainda esta semana.

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