Juíza dá liminar de reintegração
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quarta-feira, 11 de junho de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
A juíza Elizabeth Khater, de Loanda, concedeu liminar favorável ontem para o pedido de reintegração de posse da fazenda São Sebastião, em Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí). A propriedade, de 1.080 alqueires, foi ocupada na sexta-feira passada por 70 famílias de ribeirinhos (famílias de agricultores sem-terra despejados das margens do rio Paranapanema).
O dono da São Sebastião, Rubens Accorsi, disse ontem à Folha que não tem intenção de negociar a área com o Incra. A informação foi dada pelo prefeito de Querência do Norte, Wanderlei Alves da Costa (PDT), anteontem.
Accorsi explicou que comprou a propriedade há 15 anos, fez a drenagem de boa parte da fazenda e hoje mantêm na área 2.800 cabeças de gado de alta linhagem, 70 alqueires de mandioca para a reforma de pastagens e mais 200 alqueires arrendados para produtores de arroz.
Segundo Accorsi, a fazenda foi vistoriada pelo Incra em 1975, comprovando a produtividade. O laudo de vistoria foi apresentado no pedido de reintegração, o que facilitou a liminar favorável, afirmou.
Ele explicou ainda que existem na fazenda cinco bombas de irrigação instaladas em conjunto com a Associação de Desenvolvimento Comunitário da cidade, beneficiando outras cinco propriedades e mais de 1.300 alqueires de arroz.
Desde 1990, Accorsi faz o melhoramento do rebanho da fazenda, através da inseminação artificial e do cruzamento industrial. As áreas de pastagens passam por reforma com a rotação de cultura e o arroz é cultivado por arrendatários fixos.
Não quero vender a propriedade e sim garantir a posse para continuar produzindo, diz Accorsi. Ele adianta ainda que não quer confronto com os ribeirinhos ou com os sem-terra. Quero que eles deixem a área assim como entraram, pacificamente.
Os ribeirinhos ocuparam a São Sebastião depois de serem expulsos pelos sem-terra da fazenda Sonho Real, no início da semana passada. Um acordo entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e os ribeirinhos abriu espaço na Sonho Real para 28 das 40 famílias, depois de vários dias de protesto que resultaram no fechamento dos bancos e de parte do comércio de Querência do Norte.
Os ribeirinhos, no entanto, levaram as 40 famílias para outro área, dentro da fazenda, que não estava prevista no acordo. Os sem-terra, então, pressionaram os acampados até que todos deixassem a propriedade.
Das 40 famílias iniciais, mais 30 foram convocadas para ocupar a fazenda São Sebastião. Agora os ribeirinhos estão convocando mais famílias de Querência. Ontem, já haviam cerca de 100 famílias acampadas na área.


