Na Vara do Trabalho de Cornélio Procópio, região tradicional de cultivo da cana, ações denunciando submissão a condições análogas à escravidão não são rotineiras. Mas a juíza titular, Ziula Cristina da Silveira Sbroglio, pontua que o grande número de ações de trabalhadores contra empresas revela o desrespeito à legislação trabalhista.
Falta de refeitório, banheiro, água potável e registro em carteira são as principais reclamações. A dificuldade para reconhecer doenças ocupacionais é outra realidade. ''O corte de cana não é para humanos'', desabafa.
Izabel Cristina Diniz, agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), denuncia que cortadores ainda vivenciam atrasos de salário. Outra realidade, diz, é o baixo preço pago pela tonelada de cana colhida e o estabelecimento do preço da tonelada que excedem a chamada ''diária seca'' apenas depois do trabalho realizado. ''As empresas querem compensar o custo pela adequação à legislação trabalhista pagando menos aos trabalhadores. Para conseguir um ganho razoável, os cortadores 'se matam' na colheita, o que compromete a saúde'', denuncia. A exploração, completa, também faz crescer o alcoolismo e uso de drogas entre os cortadores.
Jairo Correa de Almeida, diretor administrativo e financeiro da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Paraná (Fetaep), reforça que as condições mínimas de trabalho são garantidas graças à pressão do MPT e MTE. ''Mas ainda não são condições ideais'', avalia.

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