Juíza apoia mudanças no funcionamento do Júri Popular
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quinta-feira, 12 de março de 2009
Fernando Rocha Faro <BR> Reportagem Local 
Uma comissão de juristas criada no Senado Federal para propor um novo Código de Processo Penal estuda pelo menos duas mudanças nas normas relativas ao funcionamento do júri popular: uma é permitir que os jurados façam consultas entre si antes de depositarem seu voto acerca da culpa ou inocência do acusado e a outra é tornar mais simples as perguntas dirigidas pelo juiz aos integrantes do júri. A informação é do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
As possíveis mudanças têm apoio da juíza Elisabeth Khater, da 1ªVara Criminal de Londrina. Ela acredita que, com a permissão para a troca de ideias, os jurados poderão dissipar as dúvidas e chegar a um veredito com maior amplitude.
A experiência de países onde os jurados podem se falar antes da sentença está sendo levada em consideração. Nos Estados Unidos, por exemplo, os jurados devem chegar a um consenso sobre as circunstâncias do crime. Elisabeth, porém, acredita que cada jurado deve decidir sobre seu voto. Com relação ao questionário entregue pelo juiz aos jurados, a magistrada defende que apenas uma pergunta seja feita: O réu é inocente ou culpado?
Elitização
O vice-presidente da Associação dos Advogados Criminalistas de Londrina (Acrilon) Antonio Carlos de Andrade Viana, criticou o posicionamento da juíza Elisabeth Khater por suposta elitização na escolha dos jurados para formação do Conselho de Sentença para o Tribunal do Júri. Em entrevista à FOLHA, em 27 de fevereiro, a juíza afirmou: Só pessoas idôneas, de alto gabarito, fazem parte do Conselho de Sentença. Nós exigimos muito. São pessoas de ilibada conduta, que deveriam ficar lisonjeadas em aceitar o encargo.
O advogado destaca que a legislação exige apenas que os jurados têm que ser pessoas de notória idoneidade e maiores de 18 anos. Hoje, numa cidade como Londrina, que tem uma dimensão muito grande, os jurados elitistas não conhecem o que é a periferia. E os clientes do júri, vamos dizer assim, são na maioria da periferia, afirma. A consequência apontada pelo criminalista é que os réus são julgados por quem não conhece a realidade deles.
Um levantamento feito pela Associação mostra que apenas 21 de cerca de 700 nomes integrantes da lista de jurados são oriundos das classes trabalhadoras. Viana recomenda que o juiz requisite integrantes de associações de bairro, centros comunitários e clubes recreativos, entre outros, para conferir um caráter popular ao júri.
A juíza rebateu afirmando que na entrevista, ao usar o termo alto gabarito, quis apenas elogiá-los, uma vez que não somente as pessoas de elite fazem parte do Corpo de Jurados, mas de qualquer nível social, desde que tenham bons antecedentes. A magistrada concorda que reuniões em associações de bairros e em outras entidades são uma boa opção. Mas aponta um problema: a sobrecarga de trabalho. Para driblar a dificuldade, ela divulga a necessidade de mais voluntários por onde passa e solicita indicação de novos integrantes por parte de quem já é jurado.
O Corpo de Jurados, aponta, tem hoje 459 nomes - número diferente do da associação. Com relação ao baixo número de representantes das classes trabalhadoras, a juíza salienta que não faz distinção: O importante é que o jurado esteja aqui e dê a resposta à sociedade. Não selecionamos pessoas. Só se escolhe se ela é ou não de boa conduta, de idoneidade, enfatiza.


