A garota M.L., de três anos, que aparece na fita de vídeo apreendida pela Polícia Federal pode não ter sido a única pessoa torturada pela quadrilha de Borelli. A informação foi confirmada pela juíza da Vara de Infância e Juventude de São José dos Pinhais, Marcelize Weber Lorite. Ela se ampara no fato de que o material que estava com Marcelo Borelli, como valores e armamentos, foi uma das maiores apreensões já realizadas no Paraná. ‘‘Não resta dúvidas de que é uma quadrilha multifacetada e organizada. E todos os crimes são decorrentes de outros’’, conclui a juíza. Ela disse ainda que já solicitou outras prisões temporárias de pessoas envolvidas no caso.
Apesar das prisões terem sido decretadas pela juíza, o caso de tortura ainda não tramita na Vara de Infância de São José dos Pinhais, porque o Ministério Público ainda não formalizou a denúncia. Enquanto isso está sendo investigada - desde o último dia 15 - a autenticidade da fita de vídeo. Segundo Marcelize, a fita pode ser considerada prova, mas ainda não é uma prova pericial.
Para que as imagens sejam consideradas provas determinantes, a juíza explica que é preciso comparar os caracteres das vozes gravadas com as pessoas acusadas. Três mulheres e dois homens são os principais envolvidos, mas nem todos estão presos. ‘‘Eles foram presos no dia 15 de outubro, com Borelli, mas foram soltos por falta de provas’’, indigna-se a juíza.
Ela não sabe precisar o motivo que levou à tortura, mas adianta que pode ter sido rivalidades entre quadrilhas. ‘‘E se for rivalidade, com certeza não foi o primeiro caso’’, supõe a juíza.

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