Juíza acata pedido e liberta seis acampados
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sexta-feira, 06 de março de 1998
Marcos Zanatta 
A juíza de Paranacity (66 km ao norte de Maringá), Márcia Andrade Gomes Bosso, acatou ontem o pedido de liberdade para os seis sem-terra que estavam presos na cadeia de Maringá desde o dia 19 de fevereiro.
Os sem-terra Henrique Sezibiani, 60 anos, Vilson Krueger, 39, Vilmar Machado, 33, Adilgo Celeste da Silvam, 48, Valdomiro da Silva, 36 e Francisco Luiz de Oliveira, 56, foram presos durante a desocupação da Fazenda Água Amarela, em Jardim Olinda (135 km de Maringá). Em retaliação à prisão, um grupo de sem-terra voltou a ocupar a propriedade dois dias depois da ação da Polícia Militar.
Fora Francisco de Oliveira, que é acusado de porte ilegal de arma e foi posto em liberdade provisória depois de pagar fiança, os outros sem-terra eram acusados de desobediência à ordem judicial, formação de quadrilha e esbúlio possessório (provocar prejuízo a propriedade ou proprietário).
O advogado do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Maringá, Marino Gonçalves, pediu o relaxamento da prisão contestando os motivos alegados no inquérito, que foi aceito pela juíza e pelo Ministério Público de Paranacity.
Segundo Gonçalves, os sem-terra não resistiram à retirada das famílias da área ocupada, portanto não desobedeceram ordem judicial.
Ele alega ainda que nenhum dos trabalhadores presos cometeu crime, o que derruba a tese de formação de quadrilha e, por último, as famílias que estavam na área não causaram nenhum prejuízo à propriedade.
Nem o comandante da operação de retirada dos sem-terra sabia o motivo da prisão, lembra Gonçalves. Ontem os seis sem-terra deixaram a cadeia de Maringá e voltaram para o acampamento na fazenda invadida.


