Juíza acata denúncia contra suspeitos de sequestro
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quinta-feira, 04 de setembro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A juíza da 5 Vara Criminal do Fórum de Londrina, Oneide Negrão, acatou ontem a denúncia do Ministério Público contra os seis suspeitos apontados pela Polícia Civil como participantes do sequestro dos estudantes Celso Garla Filho e Thiago Lunardelli Fonseca, ambos com 18 anos, ocorrido no início de julho. Os seis incluindo o pai de um dos estudantes, o advogado Celso Garla, 60 anos foram acusados pelos crimes de extorsão mediante sequestro e roubo.
O promotor substituto da 5 Vara Criminal, Wilson Tomé Tropiani, concordou com as suspeitas levantadas pelo delegado-operacional da 10 Subdivisão (10 SDP), Sérgio Luiz Barroso, e denunciou Celso Garla, o também advogado Décio Vanderlei Nogueira, 36 anos, Oreles Timph, 46 anos, Claudemir Sandoval, 24 anos, Lucinéia Ribeiro dos Santos, 24 anos, e Luciano Ribeiro dos Santos, 21 anos. O promotor solicitou à juíza que decretasse a prisão preventiva contra todos os envolvidos, mas os pedidos contra Garla e Lucinéia foram indeferidos. Os demais pedidos foram deferidos, mesmo porque três dos outros quatro acusados já aguardavam presos o andamento do processo. Apenas Sandoval está foragido.
Garla foi apontado por Nogueira como mentor intelectual do sequestro, que teria sido planejado para extorquir R$ 500 mil da família de Thiago. Tropiani considerou em seu parecer que ''Celso Garla, promovendo cooperação no crime, solicitou a Décio que contratasse alguém para a execução do plano''. Nogueira, que foi preso em 19 de julho e confessou sua participação, teria pedido a Luciano para contratar Sandoval e Timph para executarem o crime. Um apartamento do advogado, num residencial na zona sul de Londrina, também foi usado como cativeiro. Já Lucinéia foi envolvida na denúncia porque teria ligado um dia antes para os estudantes combinando um local para se encontrarem. Com isso, ela atraiu os dois jovens para serem pegos juntos. Afora isso, ela teria tomado conta das vítimas no apartamento de Décio, enquanto ele fazia compras.
Além do sequestro, todos os seis acusados responderão também por roubo. Foram roubados celulares e objetos pessoais dos estudantes e um relógio Rolex de Thiago, avaliado em R$ 8 mil.
Luciano e Timph negam que tenham sido contratados para realizar um sequestro. O primeiro diz que foi procurado por Nogueira para encontrar duas pessoas para fazer uma cobrança. O segundo alega que desconhecia que tinha sido contratado para fazer a cobrança. Lucinéia também afirma que não tinha conhecimento do sequestro.
Os dois estudantes foram rendidos por Sandoval e Timph, que estavam armados, no dia 1º de julho, nas proximidades do campus da Universidade Norte do Paraná (Unopar), na zona sul, onde cursam direito. Todos seguiram no carro de Thiago até uma mata na mesma região e à noite foram para uma casa em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), onde Sandoval residia. Dois dias depois, os estudantes foram para o apartamento de Décio. No dia 5 de julho, os dois foram liberados sem o pagamento do resgate.


