O juiz-corregedor da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, disse ontem que receberá amanhã a visita do coordenador-geral do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), coronel Justino Sampaio Filho. Na reunião, o juiz deverá requerer a transferência de 72 presos dos distritos policiais de Londrina para a Casa de Custódia (CCL), e de 50 presos da própria CCL e da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) para a Colônia Penal Agrícola.
''Será um remanejamento que visa resolver o problema da superlotação dos distritos da cidade. Minha idéia é que, com as vagas que vão ser abertas, 100 presos no total sejam transferidos do 2º Distrito Policial (DP)'', disse Valle. O juiz diz que tal solução seria apenas provisória, considerando-se o número elevado de presos que o 2º e o 4º (que recebe apenas mulheres) distritos recebem por mês. Segundo Valle, no mês de maio, os dois DPs receberam 105 presos e liberaram 68.
''Esta transferência de 100 presos do 2º DP resolveria o problema para um período de mais ou menos 90 dias. Nesse meio tempo, teríamos que encontrar uma solução definitiva'', argumentou o juiz. Ontem, o 2º DP abrigava 194 presos num espaço com capacidade para 68 detidos.
A Associação dos Advogados Criminalistas de Londrina (Acrilon) pediu à VEP a interdição dos dois distritos com carceragem, de forma que não recebam novos presos. Valle encomendou vistorias à Vigilância Sanitária, ao Centro de Direitos Humanos (CDH), à Pastoral Carcerária e ao Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decon), para embasar sua decisão. Ontem, a equipe do CDH, que havia visitado o 4º DP na terça-feira, não conseguiu inspecionar o 2º Distrito.
''Nos informaram que seria necessário agendar um horário e que precisávamos de uma autorização por escrito do delegado-chefe (da 10 Subdivisão Policial), Jurandir Gonçalves André. Como a Vigilância Sanitária já havia visitado o distrito, achamos que não haveria problema'', disse Gélson Gil, coordenador do CDH.
O delegado Manoel Pelisson disse que é necessário o agendamento para que uma escolta seja providenciada. ''Só ficamos sabendo da vistoria pela imprensa. Sem querer comparar, no 4º DP (a inspeção) é mais fácil. O local só tem mulheres, que são mais calmas. Aqui, até pela maior força física, os homens são uma ameaça à segurança dos visitantes'', disse ele. Não foi possível montar uma escolta na hora porque policiais foram deslocados para levar três presos ao velório de um parente assassinado.
Roberto do Valle disse que, no caso, a responsabilidade em marcar a visita era do CDH. O delegado Jurandir Gonçalves repudiou ontem as críticas feitas por Gélson Gil à estrutura do 4º DP. ''Tudo funciona naquele distrito: esgoto, água, luz. A superlotação é realmente um problema, mas todo mundo está se esforçando pra achar uma solução'', afirmou.

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