Juiz vai propor mudanças no Centro de Detenção
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segunda-feira, 18 de julho de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Em visita feita ontem pela manhã no canteiro de obras do Centro de Detenção Provisória (Zona Sul de Londrina), o juiz-corregedor da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, se mostrou satisfeito com a construção e com o ritmo de trabalho. Mas ele deverá propor mudanças importantes para a Secretaria de Estado de Justiça (Seju). A unidade terá capacidade para 960 presos e deverá ficar pronta até o final do ano. O juiz adiantou que nas próximas semanas deverá sugerir ao governo que mude o projeto original e use a nova unidade apenas para presos provisórios. Aqueles já condenados, segundo Valle, cumpririam suas penas na Casa de Custódia (CCL), que passaria de prisão provisória para penitenciária.
O juiz argumentou que a mudança de uma unidade mista para uma unidade que abrigaria exclusivamente presos provisórios poderia ''aliviar'' de forma mais eficiente a situação prisional na região de Londrina. ''Estou tentando deixar só provisórios (no Centro) e a Casa de Custódia ficaria como uma segunda penitenciária de segurança média'', apontou. Ele adiantou que vai manter conversas nesse sentido e estimou que em cerca de 90 dias deverá ter uma definição. Sobre este assunto, a assessoria do secretário de Justiça, Aldo Parzianello, disse que ele só vai se pronunciar após receber oficialmente a proposta.
Em conversas anteriores com a Seju, o juiz já havia conseguido o aval para promover uma mudança estrutural no prédio do Centro de Detenção. Ele pediu que fossem instaladas tomadas em 15 das 90 celas individuais. Esses cubículos serão usados para presos especiais como policiais, aqueles detidos por falta de pagamento de pensões-alimentícias e os que possuem curso superior. O projeto original não contemplava sistema elétrico em nenhum dos cubículos por questão de segurança.
''As celas não têm tomada e os presos não têm acesso a qualquer fio. A única lâmpada (que ilumina a cela) não tem como os presos terem contato. Teremos que esperar o início de funcionamento para avaliar melhor'', apontou o juiz. Valle lembrou que presos provisórios não têm direito à TV, rádio e ventilador. ''Isso é um prêmio que o preso tem que fazer por merecer'', destacou.
Ele argumentou ainda que esses equipamentos podem servir para esconder drogas e facilitar fugas. Sistema semelhante já funciona num centro prisional similar inaugurado em Foz do Iguaçu e também será implantado na unidade que será inaugurada dentro de aproximadamente 40 dias em São José dos Pinhais, na Região metropolitana de Curitiba.


