Jacarezinho O juiz da Vara Criminal da Comarca de Jacarezinho, Roberto David, teve que intervir para que o corpo do cortador de cana Realdo Pereira Gonçalves, 47 anos, fosse liberado do Instituto Médico-Legal e pudesse ser velado e sepultado pela família.
Até que fosse encerrado com o cumprimento da ordem judicial, o caso mobilizou autoridades e provocou revolta nos familiares do bóia-fria. O funeral começou apenas 24 horas depois da morte de Gonçalves. Por pouco, um ônibus transportando familiares do bóia-fria não se dirigiu ao IML de Jacarezinho para retirar o corpo à força, segundo o assistente de produção Denílson Alves Rita, 32 anos, genro de Gonçalves.
O problema foi provocado pela falta de um médico-legista em Cornélio Procópio, onde o bóia-fria morreu às 22h30 do sábado, na Santa Casa. A família também atribuiu a demora à intransigência do legista do IML de Jacarezinho, Jorge Yasbick, que teria se negado a liberar o cadáver mesmo depois de ter feito a necrópsia. Segundo os familiares, Yasbick alegava falta de documentação para fazer o procedimento.
Gonçalves foi atropelado por um Ford Pampa de uma empresa de autopeças em um acostamento da BR-369, a quatro quilômetros de Andirá (36 km ao oeste de Jacarezinho). O bóia-fria estava com um colega de trabalho no momento do acidente. Depois do expediente, eles foram a uma pescaria e retornavam para a casa caminhando pela rodovia. O motorista Hilton Ferrari, 33 anos, prestou socorro à vítima. Gonçalves foi levado ao Hospital Municipal de Andirá mas, diante da gravidade do caso, foi transferido para a Santa Casa de Cornélio Procópio, onde morreu quatro horas depois.
Os familiares acionaram a Funerária São José, de Ourinhos (SP), que conduziu o corpo ao IML de Bandeirantes, de acordo com orientação de funcionários da Santa Casa. A Folha apurou que o procedimento padrão é encaminhar ao IML de Londrina.
Em Bandeirantes, o IML não estava funcionando. Segundo a família, o corpo chegou ao IML de Jacarezinho às 3h30 do domingo, onde teria permanecido intocado até às 15 horas, quando o legista chegou. Segundo os familiares, o legista não quis liberá-lo até às 19 horas, quando o juiz ordenou a liberação. De acordo com o legista, não houve demora. ''Não recebi ordem de juiz nenhum. Tudo foi feito dentro do prazo. O corpo chegou ao IML no começo da tarde e não na madrugada'', defendeu-se Yasbick.

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