Juiz suspende transferência de presos
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quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Riscos de rebelião por causa da superlotação da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e da Casa de Custódia (CCL) levaram o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, a determinar a suspensão do recebimento de presos nas duas unidades prisionais. A situação da CCL se agravou com a transferência das 12 pessoas ligadas ao comércio de combustíveis, que estavam presas no 2º Distrito Policial (DP).
''Atingimos o limite do insustentável'', afirmou Valle. Traduzindo em números, a PEL está com 80 presos a mais do que a sua capacidade numa população carcerária de 586 detentos no dia de ontem. Porém, a preocupação maior do juiz é com a CCL, que tem capacidade para abrigar 288 detentos e ontem estava com 428 presos.
''Se estourar uma rebelião não teremos onde colocar esse pessoal. Precisamos trabalhar com uma margem de segurança. Para levar os 12 envolvidos no caso dos postos de gasolina, tivemos que correr com sete presos para a PEL'', afirmou Valle.
Além de desumana, a superlotação está fazendo com que o setor de isolamento da PEL para os beneficiados com o regime de semi-aberto chegue a ter nove presos por cela. O juiz lembra que na semana, embarcaram 24 presos para a Colônia Penal Agrícola, depois de 60 dias de espera. Outros 60 presos já estão aguardando o benefício.
Celas na CCL estão com até nove presos. ''Cada vez que a gente atinge um limite de presos, há falta de água na Casa de Custódia. Outro problema é a drenagem do esgoto, que pode atingir um ribeirão próximo a unidade prisional'', destacou o juiz.
Para Valle, a única maneira de resolver o problema é a construção de um Centro de Detenção. ''Precisávamos também de um semi-aberto em Londrina'', cobra o juiz, acrescentando que se até dezembro a situação não melhorar poderá até interditar os DP.
O 2º DP teria uma população carcerária aproximada de 150 presos. O 4º e o 5º cerca de 70, cada um, e o 3º DP, 63 mulheres. O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, comentou a decisão do juiz: ''A entrada de presos é mediante a concordância do juiz de Execução Penal, caso exista vaga. Esse é o único critério. Ninguém vai encaminhar presos se a Casa de Custódia e a PEL estão interditados.''


