Juiz reintegra telefonista em tratamento de LER
Lucinéia Parra
De Maringá
A telefonista Alda Marques, 32 anos, conseguiu ontem reintegração ao trabalho na Telepar de Maringá, por determinação do juiz presidente da 3ª Junta de Conciliação e Julgamento, Maurício Madeu. Alda tinha sido demitida da Telepar, no dia 31 de maio, junto com outros 91 funcionários da empresa na região. Na época, a empresa justificou que as demissões eram por motivo de reestruturação. Em todo Paraná, a Telepar demitiu 680 funcionários.
Alda estava fazendo tratamento médico em consequência de Lesões por Esforço Repetitivo (LER) há mais de dois anos. Na sentença promulgada ontem, o juiz entendeu que a telefonista não poderia ter sido demitida por estar enquadrada na lei 8213/91 que assegura o emprego para os funcionários que estejam se restabelecendo de acidentes de trabalho.
A reintegração foi feita na presença de um oficial de Justiça, ontem, às 11h30. Estou muito feliz e surpresa, disse. Funcionária da Telepar há 10 anos, Alda contou que começou sentir as primeiras dores há mais de dois anos. Por causa da doença, foi transferida de cargo de atendente de serviços.
A Telepar foi denunciada por não cumprir o contrato trabalhista. Segundo ele, Alda trabalhava mais do que sete horas e 12 minutos por dia, que é o permitido por lei, e não tinha os 10 minutos de descanso a cada 50 trabalhados. Este intervalo é justamente para prevenir contra a LER, mas a empresa não cumpre esta determinação.
De acordo com o presidente do Sincato dos Telefônicos do Estado do Paraná (Sintel), Francisco Ferreira, a Telepar demitiu cerca de oito telefonistas e atendentes em tratamento contra a LER na região de Maringá. O diretor de Recursos Humanos da regional da Tele Centro Sul, João Luiz de Souza Carvalho, disse à Folha que o caso de Alba será analisado. Ele explicou que antes do processo de demissão a empresa analisou todos os casos. O dela não tinha nenhum impedimento para a dispensa, garantiu. Ela trabalhava em equipe, e dificilmente os funcionários têm que ir além da jornada normal de 36 horas semanais, informou.





