O juiz Rosaldo Pacagnan da 2ª Vara Criminal de Cascavel deve receber hoje denúncia do Ministério Público (MP) contra proprietários da piscina onde morreram quatro meninas, no dia 12 de março. O promotor Luiz Eduardo Albuquerque enquadrou Aires Pereira, 60 anos, e a esposa Lídia, 56, no crime de homicídio culposo, punível com um a três anos de reclusão, multiplicados por quatro (o número de mortes), porque eles teriam sido negligentes com cuidados que deveriam adotar. O casal cobrava R$ 2,00 dos frequentadores. A denúncia não satisfaz os pais que querem novas investigações.
A piscina, localizada no bairro Canceli (zona norte da cidade), não tinha alvará de funcionamento, não havia qualquer equipamento de segurança - como bóias - e era permitido o ingresso de menores sozinhos. Os pais de Juliana da Silva e sua prima Jackeline da Silva, ambas de 13 anos, e Eva Caroline Biagi e Franciele Santos, ambas de 12 anos, souberam ontem da formalização da denúncia. Eles estiveram no fórum pedindo novas investigações e o resultado do exame de amostras de sangue. Eles pedem a exumação dos cadáveres para exames de vísceras.
As famílias não se conformam com a tese de asfixia por afogamento, apresentada pelo Instituto Médico-Legal (IML) e mantida pelo delegado Nobuo Nagasse, que presidiu o inquérito. Os pais alegam que duas meninas nadavam bem. O casal dono da piscina alega não ter ouvido gritos de socorro.
O vendedor Florisvaldo da Silva, 45 anos, pai de Juliana, o mecânico Orestes da Silva, 41, pai de Jackeline, e o pedreiro Francisco, 45, pai de Franciele, pediram ontem ao MP que solicitasse a complementação das investigações. O vigia Valdecir Biagi, 37, pai de Eva, não pôde acompanhá-los, por causa do trabalho. O promotor Luiz Eduardo Albuquerque estava em Curitiba, por isso os três pais foram recebidos pelo juiz Rosaldo Pacagnan.
Pacagnan alertou que não poderia fazer comentários ‘‘de mérito’’ sobre o caso, porque lhe caberá presidir o julgamento. No entanto, disse que exigirá do laboratório de toxicologia da Secretaria de Segurança Pública o envio dos resultados do exame de sangue - que pode indicar a presença de alguma substância letal, como drogas, que tenham sido ingeridas pelas garotas.
O laboratório alega que os equipamentos estão danificados há quase dois meses, o que impede os exames. O juiz se mostrou interessado numa informação: o ex-delegado-chefe da 15ª SDP Osnildo Carneiro havia recomendado aos legistas a retirada das vísceras, e não foi atendido.

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