O juiz corregedor da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, Roberto do Valle, encaminhará nos próximos dias uma solicitação ao coordenador do Departamento Penitenciário (Depen), coronel Justino Sampaio, pedindo a remoção de todo excedente de presos dos distritos policiais para o sistema penitenciário. O diretor da Casa de Custódia de Londrina (CCL), major Edison Tomaz, também será notificado da necessidade de transferência dos presos.
Como a CCL também está superlotada, com 113 presos a mais que sua capacidade de 288, a solução será levar os presos para outras regiões do Estado. Segundo Valle, contando a carceragem da CCL e os quatro distritos que abrigam presos, ontem, havia um excedente de 288 detentos em Londrina. Somente nos distritos, o excesso atingia a marca de 175 presos, exatamente os que deverão ser removidos. A situação no 4º DP é a mais grave. Com capacidade para 24, a carceragem tinha ontem 68 detentos. ''Estou preocupado com a situação subumana em que estão vivendo os presos'', ressaltou.
O juiz esclareceu que decidiu tomar essa atitude, pois não pretende voltar a interditar os distritos, como aconteceu no ano passado. Ele acrescentou que a interdição não vinha atingindo seu objetivo de resolver o problema da superlotação. ''Não adianta nada fazer reformas nas cadeias. A quantidade de detentos é tão grande que os problemas de estrutura voltam a surgir'', observou.
Valle frisou que a solução para o problema da superlotação nos distritos é a construção do Centro de Detenção Provisória, que terá capacidade para 900 presos. A unidade foi anunciada em agosto do ano passado pelo Secretário de Estado da Justiça, Aldo Parzianello, mas até agora não foi iniciada. Na próxima semana, técnicos do Depen deverão estar em Londrina para analisar o terreno como forma de adequar o projeto arquitetônico. A construção deverá ser iniciada somente no segundo semestre.
Outra alternativa, conforme o juiz, seria a implantação de um presídio em regime semi-aberto. Ele adiantou que a unidade poderia funcionar em um anexo da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) ou mesmo na CCL. ''O Centro de Detenção ficaria com os presos provisórios e a Casa de Custódia com os em regime semi-aberto'', completou.
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Alvino Filho, disse que também está preocupado com a situação, que considera ''caótica''. Ele declarou que as regiões onde estão instalados os distritos vivem um clima de insegurança. Filho pretende se reunir hoje com o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, para discutir alternativas ao problema.
O delegado-adjunto da 10 SDP, Jorge Barbosa, informou que ''na medida do possível'' os presos estão sendo acomodados nos distritos. ''A solução definitiva é a construção do Centro de Detenção'', pontuou.

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