O juiz da Vara de Execuções Penais e Corregedoria de Presídios de Londrina, Roberto Ferreira do Valle, vai solicitar ao Ministério Público que enquadre por desobediência à Justiça o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Marino Ari Burille. Na última quinta-feira, Ferreira do Valle determinou que Burille fizesse a guarda externa nos 2º, 3º e 4º distritos policiais - e não foi obedecido.
Ontem à tarde, por intermédio do advogado Omar Salle, o comandante do 5º BPM mandou sua justificativa ao juiz. Burille alegou que legalmente é impossível atender a solicitação, pois o estatuto do órgão proíbe a PM de fazer guarda em estabelecimento penal que não sejam presídios, com detentos já condenados pela Justiça. No documento, o comandante também explica que a falta de guaritas, iluminação e passarelas nos muros dos distritos impossibilita qualquer trabalho dos PMs. Além desses problemas, Burille enfatizou que, se fosse realizar a guarda externa, teria que diminuir o efetivo de policiais na rua. O comandante não quis comentar a possibilidade de ser preso pela desobediência.
O juiz da VEP disse ontem à Folha que não tem a ‘‘intenção de prender ninguém’’, mas está forçando toda a comunidade a cooperar para ‘‘diminuir uma situação que pode virar um caos’’. Para Valle, os distritos superlotados representam hoje uma ameaça à segurança da comunidade londrinense. ‘‘Devemos ter em nossa consciência o que pode acontecer se ocorrer uma fuga em massa em algum dos distritos policiais. Não queremos nem mensurar a tragédia que poderá ocorrer, com presos das mais variadas periculosidades tentando a liberdade nas ruas’’, alerta o juiz. Para ele, ‘‘a sociedade tem que se unir para ajudar a resolver o problema’’.
Valle não quis comentar a entrevista do secretário estadual da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, concedida à rádio local CBN. O secretário propôs alugar casas em Londrina para abrigar presos. Na última sexta-feira, o juiz mandou interditar o 5º Distrito Policial e distribuiu os 31 presos entre a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), a Colônia Penal Agrícola de Curitiba e os outros distritos locais. A decisão judicial se baseou em laudo do Instituto de Criminalística. O documento apontou apontou más condições de segurança, higiene e saúde nas celas. Com a interdição, os 2º, 3º e 4º DPs dobraram a população carcerária, aumentando a tensão entre os presos e o risco de fugas.
Em cada um dos três distritos, apenas um policial faz a guarda dos presos. O comandante Burille disse que, apesar de não estar fazendo a guarda dos DPs, está fazendo a ronda externa por esses locais. Ontem à noite, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina (Sindipol), Ralf Gren de Oliveira, iria acompanhar a ronda dos policiais militares, para confirmar se ela realmente está sendo efetuada. Oliveira disse ter recebido informações de que ‘‘as rondas não estão acontecendo’’.

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