Juiz promete rigor nas investigações
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terça-feira, 17 de dezembro de 1996
Da Redação 
O juiz da 3ª Vara Criminal de Dourados, João Adolfo Astolfi, explica que Lucas foi doado ao casal londrinense através de uma enfermeira que já estava sob vigilância da Justiça do Mato Grosso do Sul. A enfermeira mediava frequentemente adoções e há suspeitas de que estaria cobrando pelo serviço. Por isto, acentua o juiz, decidiu pela busca e apreensão da criança até a conclusão das investigações. Há indícios de que houve envolvimento de dinheiro na mediação e a Justiça não pode permitir este tipo de situação sem interferir e apurar os fatos, afirmou Astolfi ontem, em entrevista por telefone à Folha.
O juiz esclarece que, por enquanto, a Justiça está apenas investigando o caso para apurar se houve ou não tráfico. Todas as partes serão ouvidas. O processo só será instaurado se for comprovada má fé e se houve transação financeira na doação da criança. Enquanto isto, Lucas terá de voltar para Dourados, onde ficará sob a guarda do juiz.
João Astolfi enfatiza que a Justiça precisa ser rigorosa nestes casos para não abrir espaço ao tráfico de crianças. Ele conta que, em Dourados, uma cidade com cerca de 170 mil habitantes, a maioria das adoções é feita de forma legal. Muitos casais, afirma o juiz, aguardam na fila de espera pela oportunidade de adotar uma criança. O cumprimento da lei é a única forma de garantirmos a estas crianças boas famílias e possibilidade de um futuro saudável.
A promotora da Vara da Infância e da Juventude de Londrina, Solange Vicentin, orienta os casais interessados em adotar uma criança a não se deixar seduzir pelas promessas de facilidades da adoção à brasileira - sem passar pelos trâmites legais. Pode haver complicações jurídicas e até perda da criança a quem o casal já estaria afeiçoado. Segundo a promotora, a idéia de que a adoção legal é complicada e difícil não é verdadeira.
Atualmente, em Londrina, diz Vicentin, há apenas cinco casais inscritos na fila de espera. E, uma vez aprovado o pedido, a demora não é grande. Ela explica ainda que a promotoria tem agilizado a avaliação dos pedidos de adoção para evitar deixar as crianças em instituições por longos períodos.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, esclarece a promotora, determina que a adoção deve ser vantajosa para o adotado. Quando avaliamos um casal não levamos em consideração só a questão financeira mas o motivo que o levou a decidir pela adoção e se existe realmente a vontade de criar um filho. A adoção legal, acrescenta, é uma garantia também para quem vai doar a criança, porque pode ter a certeza de que o casal favorecido está apto para cuidar do adotado.
(Célia Baroni)


