Juiz proíbe jornal de falar do prefeito
James Alberti
De Curitiba
O juiz Renato Braga Bettega, da 1ª Vara Civil, proibiu o jornal Impacto, que tem sede em Curitiba, de publicar quaisquer reportagens ou ilustrações sobre o prefeito de Araucária, Rizio Wachowicz. Também estão proibidas referências a assessores ou relacionadas à administração da cidade, situada na região metropolitana. O juiz atendeu a ação impetrada pelo prefeito na quinta-feira da semana passada. O jornal vinha publicando denúncias de irregularidades na administração de Wachowicz, mas também fazia insinuações frequentes sobre sua vida privada.
O direito da imprensa termina onde começa o meu, discursou o prefeito ontem em seu gabinete, durante entrevista coletiva. Não sou contra a liberdade de imprensa. Quero liberdade com responsabilidade. Segundo o advogado Elias Mattar Assad, autor da ação, o prefeito foi linchado moralmente pelos textos do Impacto.
No despacho, o juiz Renato Bettega disse que, pela análise do autos, o Impacto teria, em tese, abusado de seu direito de informar, ingressando na seara da vida particular dos autores, desrespeitando-os. Até ontem o jornalista responsável pelo veículo, Luiz Fernando Fédeger, não havia sido citado e, por isso, a edição do tablóide trouxe novas reportagem e foto sobre o prefeito. O texto, assinado por Marcos B. Trancoso, tinha como título Rincho, o ditador de batatas apodrecidas. Rincho é a forma como o jornal tem se referido a Rizio.
A coletiva para anunciar a vitória na Justiça foi um acontecimento em Araucária, que levou dezenas de aliados do prefeito ao seu gabinete. Os correligionários não se limitaram a acompanhar a entrevista e, alguns deles, discutiram com um repórter que trabalha num veículo do município, sabidamente de posição contrária a de Wachowicz.
Obstinado, o repórter perguntava se a ação tinha relação mais com as denúncias do que com as agressões pessoais. Vocês estão acostumados a libertinagem, reagiu o prefeito. Você está induzindo a entrevista, acusou. Estou falando a verdade, disparou o repórter, sob protesto enérgico dos defensores do prefeito.
Às vezes agressivo nas respostas, Wachowicz negou que a ação impõe a censura à imprensa. A imprensa tem que saber até onde ela pode ir, disse. A Justiça deve determinar o limite. O prefeito afirmou que não está pedindo para que o jornal feche, mas que o veículo respeite a dignidade de todos os prefeitos da região metropolitana.





