Juiz pede prisão de policiais em Foz
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quarta-feira, 19 de novembro de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaVersão da vítimaAntônio
Rodrigues
levou sete
tiros e está
internado
na Santa
Casa de
Foz do
Iguaçu: os
policiais
civis
teriam
disparado
contra ele
após
obrigá-lo
a se deitar
no chãoOs policiais civis Daniel Franco Pereira e Paulo Boucinha foram presos ontem à tarde, depois de se apresentarem na 6ª Subdivisão Policial (SDP) de Foz do Iguaçu. Eles são acusados de tentativa de homicídio contra o vendedor de jornais e de suco de laranja Antônio Rodrigues, de 18 anos. O rapaz foi baleado com sete tiros e está internado na Santa Casa de Foz do Iguaçu.
O crime teria ocorrido na noite de domingo. Rodrigues disse à Folha que foi abordado pelos policiais por volta das 22 horas, quando estava indo, sozinho e a pé, para uma casa de shows no bairro Porto Meira (região sul da cidade). Como portava apenas a cópia do registro de nascimento (onde não aparece fotografia), o rapaz teria sido confundido pelos policiais com um foragido de alguma penitenciária.
Rodrigues denunciou que foi algemado e colocado no porta-malas de um Kadett da Polícia Civil. Depois de o carro rodar por cerca de uma hora e meia, os policiais teriam parado em uma estrada com pouco movimento - uma antiga ligação da cidade com o Parque Nacional do Iguaçu. Ali os policiais teriam mandado o rapaz se deitar de bruços no solo e disparado contra ele (leia entrevista nesta página).
Ao prestar depoimento, ontem à tarde, os dois policiais negaram as acusações do vendedor de jornais. Segundo o delegado-adjunto da 6ª SDP, Altino Gubert Júnior, que comanda o processo administrativo contra eles, Pereira e Boucinha disseram que faziam patrulhamento pela região quando, no local onde o rapaz foi baleado, foram recebidos a tiros por um grupo de pessoas - não informaram o número - que estaria escondido em um matagal. Os policiais então teriam revidado e supostamente atingido o vendedor. Eles negaram que teriam sequestrado o rapaz e o levado para aquele local.
Após prestar depoimento, os dois policiais foram levados para a Cadeia Pública de Foz do Iguaçu, onde estão presos em uma cela especial - direito concedido por lei a policiais e pessoas com curso superior. O pedido de prisão preventiva contra eles foi expedido anteontem pelo juiz da 3ª Vara Criminal de Foz, Marcelo Dalla Déa. Além de processo criminal, eles vão responder a processo administrativo aberto pela 6ª SDP. Se forem considerados culpados, poderão ser exonerados da Polícia Civil.
O delegado do 3º Distrito Policial, onde os dois investigadores estão lotados, disse ontem que eles nunca haviam sido acusados de conduta violenta ou excessos durante o trabalho.


