O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, Roberto do Valle, solicitou investigação para apurar denúncia de que presos estariam consumindo crack na Prisão Provisória (PP). As denúncias partiram de policiais militares que fazem a guarda da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), localizada ao lado da Prisão. Do muro onde fica o corredor e a guarita da guarda é possível observar o solário da prisão, onde os presos estariam consumindo o tóxico.
O diretor da Prisão Provisória, delegado Eurico Hummig Filho, disse que está investigando o caso mas adiantou que é quase impossível bloquear a entrada de tóxico. ‘‘Fazemos revista minuciosa nos homens e nas mulheres que entram aqui, e pouco está adiantando. Os visitantes introduzem o tóxico nas partes íntimas, tornando impossível realizar qualquer revista’’, afirmou o diretor.
Nas denúncias feitas ao juiz da VEP consta também que a guarda da prisão chegou a entrar em contato com os agentes penitenciários que estariam com os presos. Conforme a denúncia, os agentes não teriam tomado qualquer providência. As visitas aos presos acontecem aos domingos à tarde.
No dia 21 de novembro do ano passado, um agente de segurança conseguiu impedir que uma arma fosse levada até a cela onde estavam os presos mais perigosos. Na ocasião, foram afastados das funções três agentes penitenciários, que teriam facilitado a entrada da arma. O revólver estava escondido no fundo falso de uma vasilha plástica cheia de salsichas. Recentemente, foi frustrada uma fuga da prisão. Os presos furaram a parede de uma cela e chegaram até o solário. Estavam prestes a pular o muro e ganhar a rua.
A entrada de droga não é problema somente da Prisão Provisória. No último domingo, após a saída das visitas da PEL, foram encontradas 12 gramas de maconha com o preso Rosinei de Oliveira. Ao receber a visita de parentes, ele acabou sentindo-se mal e foi recolhido para a cela. Rosinei só melhorou depois de expelir, pela boca, o saquinho com a droga. ‘‘Trata-se de uma artimanha que exige muita perícia. Por mais de meia hora eles conseguem segurar no esôfago o pacotinho com a droga para depois expeli-lo pela boca’’, contou um policial. O pacotinho é do tamanho de um ovo de galinha.
No ano passado, um outro preso da PEL teve que ser submetido a uma cirurgia para retirar uma porção de maconha que ficou trancada no esôfago.

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