O juiz da 9ª Vara Cível de Londrina, Fábio Haick Dalla Vecchia, realizou na tarde de ontem a terceira audiência da ação de indenização por danos morais e patrimoniais que o vendedor Reinaldo do Nascimento move contra o Instituto de Hematologia de Londrina (Ihel). O Ihel é acusado de ter divulgado, em 1995, o resultado do exame laboratorial que comprovou ser ele portador do vírus do HIV. Foram ouvidos, além de Nascimento, três testemunhas indicadas por ele.
A ação cível reinvindica uma indenização de 3.600 salários mínimos ( R$ 432 mil). O advogado de Nascimento, Gilberto Baumann de Lima, alega que após a quebra do sigilo do exame para detectação da Aids, seu cliente passou a sofrer discriminação e foi constrangido a pedir demissão da Rotema Consórcio, propriedade de William e Rosenilda Marcelino.
As testemunhas da acusação Denise de Lima, Ruy Margraff e Edson Bezerra confirmaram, nos depoimentos de ontem, que presenciaram os constrangimentos a que Reinaldo era submetido pelos ex-patrões. Segundo a denúncia, resultado do exame que comprovou que Reinaldo é soro positivo teria sido comunicado aos donos da empresa de consórcio pelo diretor do Ihel, Jorge Tadeu de Assis.
Na 7ª Vara Criminal de Londrina, tramita também outra ação movida por Reinaldo contra o Ihel por erro de diagnóstico laboratorial. É que, no primeiro exame a que ele foi submetido, a pedido de Jorge Tadeu, o resultado foi negativo. ‘‘Só alguns dias depois, com a chegada do resultado de um exame de Maceió (AL), é que ficamos sabendo que o Reinaldo era portador do HIV’’, comenta Antonio Carlos Fernandes, companheiro de Nascimento desde 1993.
Na época, depois da denúncia e da intervenção da Autarquia Municipal de Saúde e da Promotoria Pública dos Direitos Constitucionais, o Ihel garantiu que o sangue doado por Reinaldo não havia sido utilizado porque ele era portador de hepatite. O instituto alegou ainda que o resultado negativo de portador do HIV, no primeiro teste, aconteceu por erro de digitação. A última audiência - na qual serão ouvidos o médico Jorge Tadeu e suas testemunhas de defesa - foi marcada para 17 de dezembro. O médico preferiu não dar entrevista antes de prestar depoimento.

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