Juiz ouve testemunhas de série de crimes
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segunda-feira, 26 de agosto de 2002
Katia Michelle Denise Ângelo<br> Equipe da Folha 
Almirante Tamandaré - Apenas duas, das 12 testemunhas citadas no processo de investigação do assassinato de 19 mulheres em Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba, foram ouvidas ontem. A previsão é que até amanhã 36 testemunhas sejam ouvidas pelo juiz Marcel Guimarães Rotoli de Macedo. O objetivo é concluir as investigações que apuram a série de assassinatos que ocorreu na região desde 1999 e que, segundo denúncia do Ministério Público, é atribuída a uma mesma quadrilha.
Ontem foi tomado o depoimento de Dilma Machado, namorada do policial assassinado Alceu Rodrigues, conhecido como Beá. O depoimento dela durou seis horas e foi acompanhado pelos 15 advogados dos 17 acusados até agora de envolvimento com a quadrilha, pelo juiz e pelos promotores Paulo Sérgio Marcovicz de Lima e Élcio Sartori, representando o Ministério Público.
O promotor Lima informou que Dilma confirmou, em seu depoimento o que já havia declarado quando foi ouvida anteriormente, mas deu novas informações sobre a estrutura e o funcionamento da quadrilha. Apontou também possíveis roubos, furtos e outros crimes que podem ser de responsabilidade da quadrilha e que foram realizados não só em Almirante, como também em Rio Branco do Sul e litoral do Estado.
Outro depoimento tomado ontem foi o da delegada Vanessa Alice, designada para investigar o caso e responsável pelas apurações que embasaram o Ministério Público a oferecer denúncia contra as 17 pessoas, entre elas sete policiais militares do município.
O depoimento da delegada começou às 17h15 e até o fechamento dessa edição não havia sido concluído. A pedido das próprias testemunhas, a imprensa não pode acompanhar os depoimentos. Das 12 testemunhas que deveriam depor ontem, quatro faltaram e devem ser reconvocadas pelo Ministério Público. Depois dos depoimentos das testemunhas, a defesa tem um tempo para pedir novos documentos e/ou depoimentos. Com as alegações finais em mãos é que o juiz poderá pronunciar ou não a sentença, determinando se os 17 acusados irão para júri popular.


