Serão interrogados hoje no Fórum de Guaíra (115 quilômetros a sudoeste de Umuarama) o empresário Milton Andreis, 37 anos, dono da F.Andreis, (uma das maiores empresas de mineração e transporte fluvial do Brasil), e o comerciante Roque Fabiano Silveira, 33 anos, filho dos ex-prefeitos Osvaldino e Ada da Silveira. Ambos são acusados de participação no assassinato dos empresários Quinto e Celso Andreis (pai e filho), executados a tiros dia 10 de julho de 1996. Na época, Quinto estava com 60 anos e Celso, 34.
O crime teve grande repercussão. Presidido por vários delegados, o inquérito policial que apurou o duplo homicídio levou quase dois anos para ser concluído. Milton Andreis e Silveira serão ouvidos pelo juiz da vara criminal Mauro Henrique Ticianelli. Os interrogatórios começam às 9h30. A Polícia Militar vai montar um esquema especial de segurança hoje no Fórum.
Sobrinho de Quinto, Milton é acusado de ser o mandante do crime. A intenção, segundo denúncia do Ministério Público, era matar Quinto. Celso foi morto também porque tentou socorrer o pai. A F. Andreis e a empresa de Quinto, a Mineradora Floresta, travavam uma batalha judicial pelo direito de explorar a travessia do Rio Paraná entre Guaíra e Mundo Novo (MS) um negócio altamente lucrativo que acabou em janeiro do ano passado com a inauguração da ponte Airton Senna. Há 30 anos, a F. Andreis detinha o monopólio do serviço. Em 95, a Floresta conseguiu na Justiça o direito de também explorar a travessia.
Também foram denunciados pelo crime os policiais civis Luiz Siqueira da Costa, 43, e Ivan Henrique Azevedo, 33, ambos de Mato Grosso do Sul e o mecânico Ednaldo Rocha Alves, 37, de Cuiabá (MT). Ednaldo e Ivan seriam os dois pistoleiros contratados para matar Quinto. Os valores pagos pelo ‘‘serviço’’ não foram apurados. Segundo a denúncia dos promotores Robertson Fonseca de Azevedo e Laércio Januário de Almeida, Ivan atirou em Quinto, enquanto os tiros que mataram Celso foram disparados por Ednaldo. Ambos teriam sido contratados pelo policial Luiz Siqueira da Costa a pedido de Roque. Entre as provas, estão vários telefonemas de Roque para o policial civil, ligações feitas dois meses antes do crime.
Quinto e Celso foram mortos a tiros por dois pistoleiros que chegaram de moto por volta das 18 horas na casa de Quinto. Um deles chamou o empresário e quando ele saiu na varanda, recebeu quatro tiros de revólver calibre 38. Atraído pelos disparos, Celso correu para socorrer o pai e também levou três tiros. Os dois pistoleiros fugiram em seguida. A moto foi encontrada um ano depois no fundo do Rio Paraná.
Os dois policiais e o mecânico serão interrogados através de carta precatória em Mato Grosso do Sul. Até agora, o único condenado pelo crime foi o barqueiro Jolcimar Luiz Pes, o ‘‘Jilsão’’. Julgado em agosto do ano passado, Jilsão foi condenado há 12 anos de prisão. O barqueiro teria transportado os dois pistoleiros até Guaíra e os levado de volta ao Paraguai depois de matarem os empresários. De acordo com o processo, foi Roque Silveira quem apresentou Luiz Siqueira da Costa a Jilsão. O barqueiro teria sido encarregado de mostrar a cidade a Siqueira. Também teria sido ele quem alugou e pilotou o barco usado na fuga.

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