O ex-diretor do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) Márcio Filla foi nomeado ontem pelo juiz da Vara da Infância e Juventude, Ademir Richter como novo interventor da Unidade Social Oficial de Internação de Londrina (Usoil), o Educandário. No final de semana, nova fuga foi registrada na unidade.
Segundo o juiz, caso o interventor aceite o cargo, deve assumir a função amanhã. ''Eu o tenho como um profissional muito competente e com capacidade de desempenhar essa função sem problemas'', comenta. Atualmente, Filla é membro da equipe pedagógica do Ciaadi.
Além de chefiar a equipe do centro, Filla foi diretor e membro da equipe da Escola Oficina entidade que prestava atendimento a menores em situação de risco até o fechamento da unidade, no ano passado. Filla preferiu não dar entrevista sobre o assunto e afirmou que só vai se pronunciar após reunir-se com o juiz.
A Justiça determinou a intervenção da Usoil no dia 18 de outubro. Outra interventora havia sido nomeada mas não chegou a assumir o cargo. A intervenção foi um pedido da Promotoria da Vara da Infância e Juventude face a uma série de problemas registrados da unidade, como fugas, tumultos, denúncias de agressões, além das más condições do prédio e da ausência de um projeto pedagógico para a unidade.
Na semana passada, tornou-se público um termo de declarações dos funcionários da Usoil, denunciando o estado de tensão da unidade após a transferência de 11 adolescentes da Capital envolvidos na rebelião do Educandário São Francisco. Correspondências interceptadas pelos educadores davam conta de que haveriam planos de execução de internos por outros internos em andamento.
No final da tarde de sábado dois dos adolescentes transferidos da Capital tentaram fugir. Segundo um educador que pediu para não ser identificado, um deles, de 16 anos, conseguiu escapar após serrar as grades de uma janela. O outro foi interceptado quando tentava pular. A fonte não soube informar qual o motivo da internação dos dois jovens e afirmou que um inquérito administrativo foi aberto para investigar como a serra entrou no Educandário. Atualmente a unidade conta com 43 adolescentes.
Apesar da fuga ter ocorrido no sábado, até o final da tarde de ontem nem a promotora nem o juiz da Vara de Infância e Juventude haviam recebido qualquer notificação oficial sobre o incidente. ''Sei apenas informalmente através da Polícia Civil, parece que o Padre Roque teria proibido a divulgação'', afirma a promotora Édina Maria de Paula referindo-se ao secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Ação Social, Padre Roque Zimmerman.
A promotora criticou a postura da secretaria que, segundo ela, estaria fazendo uma interpretação política da intervenção da unidade e ''levando o assunto para o lado pessoal''. ''Não quero confronto com ninguém, faço o que a lei me manda fazer mas reafirmo que se algo grave ocorrer no Educandário vou responsabilizar pessoalmente o Padre Roque porque ele já foi avisado e parece não reconhecer a autoridade do juiz'', critica.
A Folha tentou entrar em contato com Padre Roque, mas ele não foi encontrado em seu escritório em virtude do feriado, não houve expediente ontem na secretaria de Trabalho e não retornou mensagem deixada em seu telefone celular.

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