Juiz nega pedido de prisão de autor confesso de crime
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terça-feira, 29 de junho de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O juiz da 1 Vara Criminal de Londrina, João Luiz Clève Machado, indeferiu ontem pedido de prisão preventiva proposto pelo delegado do 1º Distrito Policial, Marcos Belinati, contra o diretor da concessionária Cipasa, José Ibrain Barbino, 55 anos, Barbino confessou ter assassinado a tiros o proprietário da empresa, Ciro Frare, 67 anos, na última quinta-feira. Com isso, o delegado desistiu de ouvi-lo no inquérito que apura o crime e vai esperar o julgamento de recurso contra a decisão do juiz, que o Ministério Público deverá interpor hoje no Tribunal de Justiça (TJ).
Clève Machado disse que não havia na petição do delegado elementos que justificassem a medida. ''Ele se apresentou um dia depois do crime, entregou a arma, é primário, tem bons antecedentes, família constituída, residência fixa, é trabalhador e não demonstrou que queria furtar-se a aplicação da lei'', justificou. O juiz disse ainda que não havia o clamor público, como apontou Belinati. ''Não é porque a vítima é mais rica ou mais pobre que vou decretar a prisão de alguém. O clamor social apenas não pode me levar a prender um pai de família''.
O juiz explicou ainda que o prazo judicial de cinco dias concedido para Barbino se tratar de problemas de saúde é previsto ''pela sistemática processual brasileira''. No dia seguinte ao crime, quando ele era esperado na delegacia, Barbino se apresentou ao juiz com o advogado Antônio Amaral e levou a arma usada no homicídio. Questionado se Barbino teria porte de arma, o juiz confirmou que não. Mas afirmou que não poderia ter sido preso por este motivo (como prevê o Estatuto do Desarmamento) porque a arma estava sendo apresentada pelo seu advogado e naquele momento era uma prova do crime.
A promotora da 1 Vara Criminal, Suzana Broglia Feitosa de Lacerda, deve ingressar hoje com recurso. ''Pelo relato da testemunha ocular do crime, (o homicídio) foi hediondo, independente da motivação que for apontada na investigação.''
Amaral justificou que apresentou seu cliente em juízo para preservá-lo do assédio da imprensa e porque ele não tinha condições emocionais nem físicas de se apresentar à polícia. ''Precisava de um salvo-conduto, de uma ordem judicial, que o delegado não teria condições de me conceder'', apontou. Ele comentou que não conversou com Barbino sobre o motivo do crime e que ele está em tratamento médico, fora de Londrina. ''Quando receber o sinal verde dos médicos, vou conversar com ele e me inteirar dos fatos para preparar a defesa técnica'', concluiu.
Com informações colhidas junto à família da vítima, crescem as suspeitas da polícia de que o crime tenha ligação com supostos desvios na empresa. O delegado comentou que manteve contato telefônico com um dos filhos de Frare: ''Ele me disse que os lucros da Cipasa vinham baixando, o pai desconfiava disso e sempre perguntava para o Ibrain o que estava acontecendo.'' O ex-contador da Cipasa José Terra Júnior, que depôs anteontem, declarou que o problema contábil foi resultado de erro técnico cometido por ele.


